Após ligação entre Lula e Trump, Brasil e EUA marcam reunião para negociar tarifaço; entenda

Encontro virtual na próxima segunda-feira (31) entre o ministro Márcio Elias Rosa e o representante americano Jamieson Greer tentará ampliar lista de produtos isentos de sobretaxas de até 37,5%

Publicado em 25 de agosto de 2026 às 17:56

Presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Crédito: Ricardo Stuckert/PR

A primeira etapa da retomada das negociações técnicas entre o Brasil e os Estados Unidos sobre as barreiras comerciais americanas já tem data e hora para acontecer. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, se reunirão virtualmente na próxima segunda-feira (31), às 14h30, no horário de Brasília. O encontro dá início a uma nova rodada de conversas entre os dois países após um período de impasse.

De acordo com o governo brasileiro, o objetivo inicial nesta retomada é ampliar a lista de produtos nacionais que estão isentos das tarifas adicionais cobradas pelos EUA. Em uma etapa posterior, a intenção é discutir a reversão completa das medidas protecionistas adotadas por Washington.

Até o telefonema presidencial, as delegações de ambos os países já haviam realizado mais de 30 contatos em diferentes níveis desde o anúncio das tarifas adicionais, mas sem conseguir chegar a um entendimento consensual.

A reabertura dos canais de diálogo foi viabilizada após um telefonema de cerca de 1 hora e 20 minutos ocorrido na semana passada entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Na ligação, Lula argumentou que as taxas afetam negativamente as economias de ambos os países e defendeu a necessidade de retomar as tratativas.

Trump concordou com a preservação das relações comerciais bilaterais e sugeriu que as equipes técnicas voltassem a se reunir o mais rapidamente possível. Foi a partir desse aval político que o representante Jamieson Greer procurou o ministro brasileiro para agendar a reunião.

Durante o ano de 2026, os Estados Unidos aplicaram duas tarifas adicionais que impactaram as exportações brasileiras. A primeira tarifa, de 25%, foi imposta após uma investigação do governo americano concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio bilateral, utilizando como argumentos a regulação de plataformas digitais e o Pix. Posteriormente, uma segunda investigação resultou em um acréscimo tarifário de 12,5%, elevando a alíquota total de alguns produtos para 37,5%.

Embora milhares de produtos de grande relevância para a balança comercial brasileira, como petróleo, café e carne bovina tenham ficado de fora da cobrança adicional, importantes setores industriais continuam sofrendo com a tarifa máxima. É o caso de segmentos como calçados, máquinas, madeira e açúcar. A aposta do governo federal é que o avanço das reuniões abra caminho para reduzir os prejuízos aos exportadores nacionais.

Com informações do g1.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.