Publicado em 23 de junho de 2026 às 09:12
A Polícia Civil do Distrito Federal colhe, na tarde desta terça-feira (23), o depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro. A oitiva, marcada para as 15h, faz parte da investigação sobre uma pistola de sua propriedade que foi apreendida com um sargento do Exército, integrante do Gabinete de Segurança Institucional, durante uma fiscalização de trânsito em Taguatinga. Como Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária em sua residência, a audiência será realizada de forma presencial por determinação do Supremo Tribunal Federal.>
O caso começou a se desenhar no dia 15 de junho, quando a Polícia Militar interceptou o militar do GSI no Pistão Norte, em Taguatinga. Durante a abordagem, os policiais encontraram a arma e, ao ser questionado, o sargento informou que prestava serviços de segurança para o ex-presidente e que a pistola pertencia ao político. A partir desse episódio, a 17ª Delegacia de Polícia instaurou um inquérito para entender as circunstâncias em que o armamento estava circulando e se havia alguma irregularidade no transporte por terceiros.>
Embora as videoconferências sejam comuns no sistema jurídico atual, o ministro Alexandre de Moraes barrou o formato digital para este caso. O magistrado apontou que existem restrições legais específicas para o uso de comunicações eletrônicas na atual condição de Bolsonaro, o que tornou obrigatória a ida dos delegados até o endereço do ex-presidente. Atualmente, ele cumpre uma pena de 27 anos e 3 meses de reclusão por tentativa de golpe de Estado, mas sob o regime de prisão domiciliar por razões humanitárias.>
De acordo com as investigações preliminares, o sargento afirmou em seu primeiro relato que recebeu o armamento no próprio dia 15 de junho. A sua única missão seria avaliar um defeito mecânico na pistola e devolvê-la consertada já no dia seguinte, o que justificaria o deslocamento com o objeto em vias públicas.>
A equipe jurídica de Jair Bolsonaro confirmou essa versão em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal, explicando que a pistola apresentou uma falha e estava totalmente sem condições de uso. Segundo os advogados, o problema ocorreu porque a própria equipe de segurança retirou o percussor, que é a peça que atinge a munição para disparar, sem o conhecimento de Bolsonaro. Ao notar o mau funcionamento, o ex-presidente pediu o suporte do agente para o reparo e, para comprovar a regularidade da situação, a defesa anexou ao processo o certificado de registro definitivo da arma.>