Empresários da indústria elegem corte de impostos e equilíbrio de contas como prioridades até 2030

Estudo inédito da CNI revela que temas financeiros e tributários pesam mais para o setor produtivo do que incentivos diretos à produção para os próximos anos.

Publicado em 23 de junho de 2026 às 10:18

Empresários da indústria elegem corte de impostos e equilíbrio de contas como prioridades até 2030
Empresários da indústria elegem corte de impostos e equilíbrio de contas como prioridades até 2030 Crédito: JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

O empresariado industrial brasileiro já definiu quais devem ser os rumos econômicos do país para o período entre 2027 e 2030. Um amplo levantamento da Confederação Nacional da Indústria, divulgado nesta segunda-feira (22), revela que a redução da carga tributária e o controle das contas públicas são as maiores exigências do setor para a próxima gestão do governo federal. Realizada pela Nexus com mais de mil executivos de todo o Brasil, a pesquisa mostra que arrumar a casa na área fiscal e consolidar a reforma tributária são passos considerados mais urgentes do que a criação de políticas de incentivo direto às fábricas.

O desejo por um ambiente de negócios mais leve fica evidente quando os dados são analisados de perto, mostrando que o fim do peso dos tributos é a prioridade absoluta para o futuro do país. No topo das urgências, 29% dos líderes industriais focam na redução de impostos e na consolidação da nova reforma tributária. Logo em seguida, 22% defendem que o equilíbrio fiscal e uma gestão pública mais eficiente são os caminhos mais necessários, enquanto 21% enxergam o incentivo direto à indústria e ao desenvolvimento produtivo como a pauta principal.

Quando o assunto migra para o dia a dia e para a realidade interna de cada empresa, a necessidade de alívio nas taxas fica ainda mais gritante. Cerca de 45% dos entrevistados apontam os impostos altos como o principal entrave para o crescimento de seus negócios, seguidos de perto pela busca por juros menores e mais facilidade no acesso ao crédito, apontados por 26%. Não por acaso, a combinação de alta carga tributária, escassez de mão de obra qualificada e taxas de juros elevadas foram listadas como os problemas de maior impacto sentidos pelo setor ao longo do último ano.

Diante desse cenário de cautela econômica, o ritmo de novos investimentos para os próximos quatro anos deve ser moderado. A maior parte dos executivos planejada manter o patamar atual de investimentos, enquanto 28% demonstram otimismo e pretendem injetar mais dinheiro em suas operações. Por outro lado, 20% das indústrias revelaram que não têm planos de fazer novos aportes no período e 9% cogitam encolher os investimentos atuais. Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o desenvolvimento do país depende diretamente de uma sintonia fina entre as políticas do Estado, reforçando que o governo precisa planejar o desenvolvimento para passar segurança a quem investe.

Os dados coletados entre maio e junho com empresas de pequeno, médio e grande portes serviram de base para o evento A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis, realizado nesta segunda-feira. Durante os debates com pré-candidatos ao Palácio do Planalto, a entidade apresentou propostas que prometem gerar discussões intensas no cenário político, como a revisão do Benefício de Prestação Continuada e o fim da vinculação obrigatória de percentuais mínimos do orçamento para saúde e educação, medidas que já enfrentam forte resistência e críticas de entidades de referência nessas áreas sociais.

Com informações da Agência Brasil.