Babá diz que recebeu orientação para apagar mensagens após morte de Henry

Testemunha afirmou que pretende corrigir versões anteriores e relatou supostas pressões para defender Monique Medeiros e Jairinho

Publicado em 31 de maio de 2026 às 19:30

Testemunha afirmou que pretende corrigir versões anteriores e relatou supostas pressões para defender Monique Medeiros e Jairinho
Testemunha afirmou que pretende corrigir versões anteriores e relatou supostas pressões para defender Monique Medeiros e Jairinho Crédito: Reprodução

Neste domingo (31), durante o sétimo dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e Monique Medeiros pela morte de Henry Borel, a babá Thayná de Oliveira Ferreira afirmou à Justiça que pretende se retratar de declarações prestadas anteriormente sobre o caso.

Considerada uma das testemunhas mais aguardadas do júri, ela relatou episódios que classificou como suspeitos envolvendo o menino e disse ter recebido orientações para apagar mensagens e minimizar relatos sobre a família após a morte da criança.

Antes de ser ouvida formalmente como testemunha, Thayná confirmou à juíza Elizabeth Machado Louro que deseja corrigir versões apresentadas durante a investigação. Ela responde a um processo por falso testemunho devido às diferentes declarações dadas ao longo do caso.

Segundo o depoimento, a babá trabalhou por cerca de um mês na residência onde Henry morava com a mãe e Jairinho, entre janeiro e março de 2021. Durante esse período, ela afirmou ter presenciado situações que despertaram preocupação sobre a convivência entre o então vereador e a criança.

Entre os episódios relatados, Thayná contou que Henry teria saído abatido de uma conversa reservada com Jairinho e, em outra ocasião, deixou um quarto mancando após permanecer sozinho com ele. Segundo a babá, o menino reclamou de dores e relatou ter caído da cama.

Ela também afirmou que, após um desses episódios, recebeu R$ 100 de Jairinho para comprar uma nova blusa rasgada durante uma situação envolvendo a criança. Para a testemunha, o gesto foi interpretado como uma tentativa de evitar questionamentos sobre o ocorrido.

Outro ponto destacado no depoimento foi o período posterior à morte de Henry. Thayná afirmou que foi levada para um escritório de advocacia, onde teria recebido orientações para apagar mensagens do celular e sustentar que a convivência familiar era harmoniosa.

De acordo com a babá, também houve pressão para que ela concedesse entrevistas defendendo o casal. Apesar de afirmar que não desejava falar com a imprensa, ela disse que acabou cedendo às insistências recebidas na época.

O depoimento de Thayná é considerado relevante porque suas versões mudaram ao longo da investigação. Inicialmente, ela declarou não ter presenciado qualquer situação incomum na residência. Posteriormente, passou a relatar supostos episódios de agressão e mensagens enviadas em tempo real para Monique Medeiros sobre comportamentos atribuídos a Jairinho.

Após prestar esclarecimentos à magistrada, a babá passou a responder aos questionamentos das partes envolvidas no julgamento, que continua em andamento no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.