Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 17:39
O Ministério Público Federal (MPF) apontou a existência de um esquema de desvio de aproximadamente R$ 5,7 bilhões envolvendo o Banco Master, no qual uma clínica médica e um hospital infantil teriam sido utilizados como instrumentos da operação fraudulenta.>
A apuração resultou em uma operação de busca e apreensão realizada na quarta-feira (14), que teve como alvos a instituição financeira e pessoas ligadas ao caso.>
Segundo o MPF, o banco captava recursos por meio de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e os direcionava a fundos de investimento nos quais figurava como cotista exclusivo. Esses fundos, por sua vez, adquiriram títulos emitidos por empresas que mantinham vínculos societários ou relações pessoais com os sócios do Banco Master, conforme revelou a jornalista Natália Portinari, em coluna publicada no UOL.>
Entre os indícios levantados pela investigação está uma transferência de R$ 9 milhões destinada a Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, realizada por intermédio de um operador. De acordo com os investigadores, os desvios ocorreram ao longo do ano passado, período em que o inquérito foi conduzido.>
As apurações indicam que, dos mais de R$ 3,5 bilhões aplicados pelo Banco Master em fundos dos quais era o único cotista, cerca de R$ 1,8 bilhão foi utilizado na compra de notas comerciais emitidas por empresas ligadas aos próprios sócios da instituição.>
Um dos casos destacados é o da Clínica Mais Médicos, que emitiu R$ 361 milhões em notas comerciais sem qualquer tipo de garantia. O MPF ressalta que a empresa possuía capital social zerado e apresentava uma dívida 6.500 vezes superior à sua receita bruta anual, que em 2023 foi de apenas R$ 54 mil, o que evidenciaria uma estrutura financeira incompatível com padrões mínimos de viabilidade econômica.>
Sobre a presidente da clínica, Valdenice Pantaleão, o MPF afirmou que, apesar de comandar uma empresa que movimentou milhões de reais, ela não possui patrimônio declarado e foi beneficiária do auxílio emergencial nos anos de 2020 e 2021. Para os investigadores, esses elementos indicam que ela teria atuado como “interposta pessoa”, popularmente conhecida como “laranja”.>
A Clínica Mais Médicos mantém ligação com o Hospital da Criança de São José, responsável pela emissão de R$ 372 milhões em notas adquiridas pelo Banco Master. O MPF aponta que outras empresas vinculadas aos sócios, como a Holding AF S.A. e a Simetria Planos de Saúde Eireli, adotaram o mesmo padrão de emissão de títulos comprados pelos fundos ligados ao banco.>
A operação também teve como alvos diversas pessoas físicas e jurídicas, incluindo Valdenice Pantaleão. Além do Banco Master e de seus sócios, a investigação cita os responsáveis pelas administradoras de fundos Reag, Ruby Capital e Trustee DTVM como principais envolvidos no esquema.>
João Mansur, ex-controlador da Reag, é apontado como participante ativo nos desvios, com indícios de que teria utilizado os próprios filhos como laranjas para ocultar operações.>
Outra empresa mencionada é a Brain Realty, com sede em São Paulo, que teria recebido cerca de R$ 460 milhões em empréstimos considerados fraudulentos. Segundo o MPF, os recursos foram posteriormente direcionados a fundos que aplicaram o dinheiro em ativos de baixa liquidez e valor questionável, como títulos do antigo Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), extinto em 2008.>
De acordo com manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), essas movimentações, realizadas entre abril e maio de 2024, resultaram em um desembolso de R$ 1,45 bilhão por parte do Banco Master, com retorno de R$ 1,38 bilhão por meio da aquisição de CDBs pelos fundos Astralo 95 e Reag Growth 95.>
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o banqueiro tem colaborado de forma integral com as autoridades e permanece à disposição para prestar esclarecimentos. Os advogados de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, informaram que ele está à disposição dos investigadores, sustentando que suas atividades são lícitas e sem relação com a gestão do Banco Master.>
Já a defesa de Nelson Tanure declarou que ele não mantém vínculo societário com o banco e demonstrou confiança de que a investigação irá comprovar a inexistência de irregularidades. Por sua vez, o advogado de João Carlos Mansur afirmou que ainda não teve acesso aos autos, mas se colocou à disposição para colaborar com as autoridades.>