Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 08:35
Um contrato de alto valor firmado entre o Banco Master e o escritório ligado ao ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski chama atenção não pela atuação nos tribunais, mas justamente pela ausência dela. Apesar de receber R$ 250 mil mensais por serviços de consultoria jurídica, a banca não aparece em nenhum processo judicial envolvendo a instituição financeira ou seu controlador, o banqueiro Daniel Vorcaro.>
O acordo foi celebrado em agosto de 2023 e permaneceu em vigor até setembro de 2025. Durante parte desse período, Lewandowski já integrava o primeiro escalão do governo Lula, cargo que assumiu em janeiro de 2024. O contrato foi firmado em nome da Lewandowski Advocacia, escritório registrado formalmente em nome da esposa do ex-ministro, Yara de Abreu Lewandowski, e do filho, Enrique de Abreu Lewandowski.>
Apesar da ligação familiar, nenhum dos dois atuou como advogado em ações relacionadas ao Banco Master. A própria defesa de Ricardo Lewandowski confirmou a existência do contrato, classificando-o como prestação de serviços de consultoria jurídica, sem detalhar atividades específicas.>
Sem atuação junto ao Executivo>
Registros oficiais também não apontam uma atuação direta do escritório junto a órgãos do Poder Executivo em favor do banco. No período em que o contrato esteve ativo, apenas um encontro de Enrique Lewandowski com autoridades públicas foi registrado: uma reunião, em maio de 2024, com integrantes da Advocacia-Geral da União para discutir um processo no Superior Tribunal de Justiça envolvendo seguros habitacionais,. tema sem qualquer relação com o Banco Master.>
Yara Lewandowski, embora inscrita na OAB de São Paulo e do Distrito Federal, tem atuação concentrada na área cível e não figura em processos no Supremo Tribunal Federal. Já Enrique mantém presença mais frequente na advocacia empresarial, inclusive como sócio de outro escritório em São Paulo, defendendo grandes companhias em ações que tramitam no STF. Nenhuma delas, porém, possui vínculo com o Master.>
O contrato começou a vigorar meses antes de Lewandowski assumir o Ministério da Justiça, indicação feita pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Após a revelação pública da relação contratual entre o escritório e o banco, e da participação de Wagner nas articulações políticas, o Palácio do Planalto passou a enfrentar pressão em torno da possível instalação de uma CPI para investigar o Banco Master.>
Diante do cenário, parlamentares da base governista iniciaram a coleta de assinaturas para tentar assumir o controle da comissão, caso ela seja criada, numa estratégia para reduzir riscos políticos ao governo.>
O que diz a defesa>
Por meio de sua assessoria, Enrique Lewandowski afirmou que o vínculo com o Banco Master nunca envolveu atuação em processos específicos. Segundo ele, o trabalho consistia em reuniões presenciais realizadas uma ou duas vezes por mês na sede da instituição, além de interlocução direta com o então diretor jurídico do banco, Luiz Rennó.>
Ainda de acordo com Enrique, a consultoria estava concentrada em temas fiscais e tributários, área em que possui especialização, e não previa representação judicial nem articulação institucional junto a autoridades públicas.>