Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 08:38
O Banco Central determinou, nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial do Will Bank, banco digital que integrava o conglomerado do Banco Master e acabou impactado diretamente pela crise que levou à queda da instituição controladora. A decisão foi tomada após a constatação de que o modelo de recuperação adotado nos últimos meses não foi suficiente para reverter o comprometimento financeiro da empresa.>
Desde novembro do ano passado, o Will Bank operava sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET), mecanismo aplicado pela autoridade monetária quando há risco à estabilidade da instituição, mas ainda existe a possibilidade de preservação das atividades. Esse cenário, no entanto, deixou de existir após o banco descumprir compromissos operacionais considerados essenciais para sua continuidade.>
De acordo com o Banco Central, o fator decisivo foi a quebra do acordo com a bandeira Mastercard, registrada no dia 19 de janeiro. O descumprimento levou ao bloqueio da participação do Will Bank no arranjo de pagamentos, inviabilizando o funcionamento regular de seus serviços e acelerando o processo de liquidação.>
Em nota, a autarquia explicou que a deterioração da situação econômico-financeira, somada à insolvência e ao vínculo direto de controle com o Banco Master, que já se encontra em liquidação extrajudicial, tornou a medida inevitável. O Master havia sido liquidado em novembro de 2025, após suspeitas de fraudes envolvendo a negociação de carteiras de crédito sem lastro e outras irregularidades financeiras.>
Criado em 2017 como uma plataforma totalmente digital, o Will Bank foi adquirido pelo Banco Master em 2024 e, à época, informava possuir uma base superior a 9 milhões de clientes. Mesmo assim, os números mais recentes indicavam fragilidade: a instituição acumulava ativos de R$ 14,4 bilhões, prejuízo de R$ 244,7 milhões e patrimônio líquido próximo de R$ 300 milhões.>
Embora representasse uma fatia pequena do Sistema Financeiro Nacional, cerca de 0,57% dos ativos e 0,55% das captações totais, o banco havia sido inicialmente preservado pelo Banco Central durante a intervenção no Master, justamente pela expectativa de manutenção de suas operações. A frustração dessa estratégia levou ao novo ato assinado pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo.>
Esta é a segunda liquidação determinada pelo Banco Central em 2026. Na semana anterior, a Reag Investimentos também foi submetida ao mesmo regime, após investigações apontarem suspeitas de operações fraudulentas relacionadas ao Banco Master. A empresa ainda é investigada por possíveis vínculos com recursos oriundos do tráfico de drogas, apurados no âmbito da Operação Carbono Oculto.>
O Banco Central informou que continuará aprofundando as apurações para identificar responsabilidades. Conforme prevê a legislação, os bens dos controladores e ex-administradores da instituição liquidada ficam indisponíveis, e os resultados das investigações podem gerar sanções administrativas e comunicações a outros órgãos competentes.>