Publicado em 8 de maio de 2026 às 11:55
O brasileiro encerrou 2025 com um motivo para comemorar, ainda que com ressalvas: o rendimento médio no país atingiu o maior patamar já registrado desde 2012. Segundo os dados da Pnad Contínua, divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (8), a renda média mensal chegou a R$ 3.367. O cenário reflete um mercado de trabalho aquecido e uma economia que, apesar dos desafios, conseguiu colocar mais dinheiro no bolso da população.>
Se olharmos para a renda por pessoa dentro de cada casa (o rendimento per capita), o valor bateu os R$ 2.264, um salto de quase 7% em apenas um ano. A boa notícia é que esse crescimento não ficou restrito a um único grupo: brasileiros de todas as classes sociais viram seus ganhos subirem. No entanto, o "bolo" não foi dividido em fatias iguais, o que causou uma leve oscilação para cima na desigualdade social após um ano de mínimas históricas.>
Por que os mais ricos ganharam mais?>
Embora todos tenham progredido, quem já estava no topo da pirâmide financeira acelerou o passo. Os 1% mais ricos do Brasil viram sua renda saltar quase 10%, chegando a uma média de R$ 24.973 por pessoa. De acordo com Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE, três fatores principais explicam esse fenômeno:>
Juros elevados: Investimentos financeiros renderam mais para quem tem capital aplicado.>
Mercado imobiliário: Os rendimentos vindos de aluguéis tiveram uma alta significativa.>
Qualificação: Profissionais de alta senioridade foram mais valorizados em um mercado de trabalho competitivo.>
Enquanto isso, na base da pirâmide, os 10% mais pobres tiveram um aumento de 3,1%. Na prática, isso significa sobreviver com cerca de R$ 268 por mês (menos de R$ 9 por dia). Como os programas de assistência social não passaram por grandes reajustes no último ano, esse grupo dependeu exclusivamente da melhora nas vagas de emprego para subir o degrau.>
O retrato da desigualdade>
O Índice de Gini, que mede a concentração de renda, subiu de 0,504 para 0,511. Na escala desse indicador, quanto mais próximo de 1, mais desigual é o país. Mesmo com essa leve subida, o Brasil ainda vive um momento melhor do que no período pré-pandemia.>
Para se ter uma ideia da concentração atual, o grupo dos 10% mais ricos detém mais de 40% de todo o dinheiro que circula no país. Esse montante é superior ao que os 70% mais pobres ganham somados.>
Olhar de longo prazo traz otimismo>
Apesar do "puxão" dos mais ricos em 2025, o pesquisador do IBGE pondera que o filme completo é positivo para os mais vulneráveis. Quando comparamos os dados atuais com o ano de 2019, o ganho real dos 10% mais pobres foi de impressionantes 78,7%, enquanto os mais ricos cresceram "apenas" 11,9% no mesmo período.>
Essa mudança estrutural nos últimos anos é atribuída à valorização do salário mínimo e ao fortalecimento de programas de transferência de renda, que garantiram que o crescimento econômico chegasse, prioritariamente, a quem mais precisava.>