Câmeras corporais mostram PM atirando contra homem em surto na frente da família no Rio

José Plácido Silio Neto foi baleado duas vezes na porta de casa, em dezembro de 2025; imagens mostram que ele já estava caído quando o segundo disparo foi feito.

Publicado em 6 de setembro de 2026 às 12:07

José Plácido Silio Neto foi baleado duas vezes na porta de casa, em dezembro de 2025; imagens mostram que ele já estava caído quando o segundo disparo foi feito.
José Plácido Silio Neto foi baleado duas vezes na porta de casa, em dezembro de 2025; imagens mostram que ele já estava caído quando o segundo disparo foi feito. Crédito: Reprodução

Na madrugada de 21 de dezembro de 2025, um homem em surto psicótico foi baleado por policiais militares na porta de casa, no Rio de Janeiro, diante de familiares. Imagens das câmeras corporais dos agentes, obtidas pela coluna, mostram José Plácido Silio Neto sendo atingido por dois disparos, inclusive quando já estava caído no chão.

José Plácido morreu três dias depois, na véspera do Natal. Segundo os registros da ocorrência, a Polícia Militar foi chamada após ele agredir a própria mãe, Midian dos Santos Silio, durante o surto.

Durante a abordagem, José Plácido atingiu a cabeça do cabo Paulo da Silva Costa com um pedaço de madeira. Outro policial que participava da ocorrência, identificado como Ed Carlos da Silva Brito, também efetuou um disparo naquele momento, mas não atingiu o homem.

As imagens mostram que, após ser atingido na cabeça, o cabo Paulo foi atrás de José Plácido e ordenou que ele largasse o pedaço de madeira. Diante da recusa, o policial fez um primeiro disparo. Na sequência, quando José Plácido já estava caído, um segundo tiro foi efetuado.

Nas imagens, o outro policial chega a dizer: “já deu, já deu, tá bom”.

No registro da ocorrência, o cabo Paulo da Silva Costa afirmou que atirou porque José Plácido teria “mantido conduta ofensiva” e estaria posicionado “para um novo ataque”. As imagens das câmeras corporais, porém, mostram os disparos sendo feitos quando José Plácido estava afastado dos policiais e parado.

Os registros também indicam que os agentes sabiam que José Plácido tinha problemas de saúde mental. A informação teria sido repassada por uma tia dele, que estava no portão da residência durante a ocorrência.

Depois de ser baleado e ficar ferido com dois tiros na região do abdômen, José Plácido foi arrastado pelo cabo Paulo até a viatura. Nas imagens, o policial aparece xingando a vítima e, posteriormente, ordenando que ela entrasse sozinha no veículo.

“Bora, bora, filha da puta”, disse o policial, antes de chutar José Plácido.

Segundo a família, a conduta dos policiais não foi investigada pela Polícia Civil nem pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. O caso chegou a tramitar como um processo criminal no qual José Plácido aparecia como autor de uma tentativa de homicídio contra o policial.

O processo, no entanto, foi extinto após a morte de José Plácido. Agora, familiares buscam na Justiça a responsabilização do policial envolvido nos disparos.

A Defensoria Pública informou que presta assistência jurídica à família e que requisitou uma investigação do caso como possível homicídio doloso.