Publicado em 3 de novembro de 2026 às 17:07
Por Rui Guilherme Filho - Belém (PA)>
Um casal, identificados como Estela Tomazetto, de 48 anos, e João Luiz dos Santos, de 56, estavam trafegando com uma caminhonete em uma estrada entre os municípios de Angélica e Nova Andradina, no Mato Grosso do Sul, quando confundiram um leito do rio Ivinhema com um trecho alagado e desapareceram na noite do último domingo (01). O corpo de Estela foi encontrado dentro da caminhonete, porém João Luiz ainda está desaparecido.>
Segundo o delegado Gustavo Oliveira, da Polícia Civil, responsável pela investigação, não há indícios de feminicídio ou suicídio, mas sim de um acidente. Ele afirmou que a investigação não encontrou histórico de violência entre o casal nem outros elementos que indiquem uma morte intencional. A principal hipótese é que o casal, que veio do Paraná para trabalhar em uma fazenda da região, tenha entrado por engano em uma área de acesso ao rio, sem conhecer as características do local. De acordo com Gustavo, o casal não morava no condomínio fechado onde ocorreu o acidente e também não estava hospedado ou alugando algum imóvel na região.>
Outro fator que pode ter contribuído para o engano é que vários trechos das estradas próximas estavam realmente alagados, devido às chuvas na região. Em alguns pontos, a água chegava à altura das rodas de veículos altos, como caminhonetes. A polícia também investiga se o casal supostamente consumiu bebida alcoólica horas antes do acidente, podendo prejudicar a percepção do mesmo.>
As imagens das câmeras de segurança também reforçam que a situação realmente tenha sido um acidente, de acordo com o delegado, elas mostram que cerca de quatro segundos depois de a caminhonete entrar na água, o motorista aciona o freio e engata a marcha à ré, com as luzes traseiras do veículo sendo acesas. Para a polícia, o movimento indica que o motorista percebeu o erro e tentou voltar, mas não conseguiu evitar que a caminhonete afundasse.>
As imagens também mostram que Estela estava sentada no banco do veículo e segurava a alça de segurança, normalmente usada pelos passageiros para se apoiar durante a passagem por obstáculos. Com isso, não há sinais de que ela estivesse sendo segurada por outra pessoa, em meio a uma discussão ou sendo forçada a permanecer no veículo. Os gritos de socorro ouvidos nas imagens teriam começado somente depois que a caminhonete entrou na água e começou a afundar.>
Outro ponto analisado pela PCMS, foi a dificuldade do casal em deixar a caminhonete antes que ela afundasse. Segundo o delegado, a rampa estava mais alagada do que o habitual, o que dificultava enxergar o declive acentuado. Além disso, em apenas quatro segundos após a entrada na água, o rio já havia invadido a cabine e coberto a porta. Com a pressão da água, abrir as portas de um veículo submerso se torna muito difícil. A polícia também destaca que o local já atinge cerca de seis metros de profundidade nos primeiros metros depois da rampa.>
A perícia nas imagens não identificou nenhum momento em que os ocupantes tenham conseguido sair da caminhonete. A porta teria se aberto somente depois que o veículo já estava no fundo do rio. A suspeita é de que a pressão da água tenha provocado a abertura e lançado uma das vítimas para fora, não sendo localizada ainda. A força da correnteza também deslocou a caminhonete por aproximadamente 40 metros pelo fundo do rio.>
As equipes do Corpo de Bombeiros seguem nas buscas por João Luiz, enquanto a investigação também segue para esclarecer todos os detalhes do acidente.>