Publicado em 3 de setembro de 2026 às 15:46
A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou na quarta-feira, 2, o texto-base da proposta de emenda à Constituição da Segurança Pública, mantendo o grosso do texto aprovado pelos deputados. Foi retirado da proposta, porém, o repasse de parte da arrecadação de bets para financiar o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Penitenciário.>
O texto foi aprovado em votação simbólica. Os senadores começaram a analisar os destaques (alterações no texto), mas encerraram a reunião por causa do início da sessão deliberativa do Senado. A expectativa é de que sejam votados só depois das eleições.>
A PEC altera as competências de União, Estados e municípios para fortalecer o combate ao crime. O texto prevê o endurecimento penal contra integrantes de facções e blindagem dos Estados contra a influência da União para direcionar políticas públicas - na contramão do proposto no texto original, elaborado pelo então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.>
Também dá à Polícia Federal poder de investigar infrações penais "contra a ordem social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União", inclusive crimes ambientais, organizações criminosas e milícias privadas. Antes havia a previsão de se investigar "infrações sob administração militar", mas o deputado Mendonça Filho tirou esse trecho do texto.>
O relator no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE), suprimiu um dispositivo aprovado pelos deputados que destinava 30% da arrecadação das bets ao Fundo Nacional de Segurança Pública e ao Fundo Penitenciário Nacional. Para o relator, a emenda retirava "dinheiro do esporte, da educação, da saúde, para as empresas de apostas".>
Também incluiu uma emenda de redação para especificar que o montante equivalente a 10% do superávit financeiro do Fundo Social será destinado aos fundos - no texto da Câmara, não havia a expressão "montante equivalente".>
'Meios necessários'>
A PEC tira a centralidade da União na coordenação de políticas nacionais de segurança, foco da proposta anterior. Em vez de caber à União "manter" a segurança pública e a defesa social, o texto prevê que ela vai "prover os meios necessários à manutenção", sinalizando financiamento por parte do governo federal, e não execução. E prevê que cada ente federativo vai ter seus próprios conselhos e políticas sobre o setor. A PEC dá poder aos municípios para criar suas próprias polícias comunitárias, uma vez que tenham "capacidade financeira" para custear a corporação, e veda "a coexistência de órgão municipal de segurança com atribuições sobrepostas".>
Por fim, a PEC incorpora o espírito do projeto de lei antifacção, cuja versão original também foi elaborada pelo ministério, ao criar uma nova categoria penal de "organização criminosa de alta periculosidade", incluindo facções e milícias, que teriam um regime penal mais rigoroso.>
Fonte: Estadão Conteúdo>