Contradições marcam falas de Flávio, Eduardo e Mário Frias sobre filme de Bolsonaro

Declarações dos aliados do ex-presidente mudaram após revelações sobre financiamento milionário ligado ao Banco Master

Publicado em 17 de maio de 2026 às 18:43

Declarações dos aliados do ex-presidente mudaram após revelações sobre financiamento milionário ligado ao Banco Master
Declarações dos aliados do ex-presidente mudaram após revelações sobre financiamento milionário ligado ao Banco Master Crédito: Reprodução

Nos últimos dias, declarações de Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Mário Frias passaram a ser alvo de questionamentos após a divulgação de informações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produção biográfica do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Documentos e mensagens divulgados pelo Intercept Brasil e confirmados pela TV Globo apontam que o empresário Daniel Vorcaro teria se comprometido a investir cerca de R$ 134 milhões no longa. Desse total, pelo menos R$ 61 milhões já teriam sido pagos.

As revelações geraram uma sequência de mudanças de versões e declarações contraditórias por parte dos envolvidos, principalmente sobre a relação com Vorcaro e a estrutura financeira do projeto.

Flávio Bolsonaro, que inicialmente afirmou não ter ligação com o banqueiro e chegou a associar o escândalo do Banco Master ao governo federal, depois admitiu que pediu recursos para financiar o filme. O senador afirmou que se tratava de “patrocínio privado para um filme privado” e negou uso de dinheiro público.

Após o vazamento de mensagens em que chamava Vorcaro de “irmão”, Flávio alegou que a expressão fazia parte da linguagem informal carioca. Em entrevista posterior, ele também admitiu ter mentido sobre a relação com o empresário, alegando que havia uma cláusula de confidencialidade envolvendo investidores do projeto.

As mensagens divulgadas ainda mostram conversas frequentes entre os dois, incluindo pedidos de ajuda financeira ligados à produção do filme e organização de encontros sociais.

Já Eduardo Bolsonaro apresentou diferentes versões sobre sua participação no projeto. Em um primeiro momento, afirmou apenas ter indicado um advogado responsável pela gestão financeira da produção. Depois, documentos revelaram que ele assinou contrato como produtor-executivo do filme ao lado de Mário Frias.

Segundo os documentos, Eduardo participava de decisões estratégicas relacionadas ao financiamento, captação de recursos, incentivos fiscais e contatos com investidores. Após a divulgação do contrato, o deputado afirmou que assumiu temporariamente a função para evitar a paralisação do projeto e disse ter investido cerca de US$ 50 mil, posteriormente reembolsados.

A Polícia Federal investiga se parte dos recursos enviados por Vorcaro teria sido usada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele vive desde 2025. Os investigadores também analisam se houve desvio de finalidade dos valores destinados à produção audiovisual.

Mário Frias também mudou o discurso após as revelações. Inicialmente, afirmou que “não havia um único centavo” de Daniel Vorcaro no filme. No dia seguinte, recuou da declaração e explicou que o relacionamento jurídico do projeto era feito com a empresa Entre Investimentos, parceira de negócios ligada ao banqueiro, e não diretamente com o Banco Master.

Segundo Frias, a divergência estaria apenas na interpretação sobre quem aparecia formalmente nos contratos do financiamento.

O caso ganhou ainda mais repercussão após a prisão de Daniel Vorcaro em São Paulo. O empresário é investigado pela Polícia Federal por suspeita de participação em um esquema bilionário de fraudes financeiras que, segundo as investigações, pode chegar a R$ 12 bilhões.