Publicado em 17 de maio de 2026 às 18:59
Neste sábado (16), a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o surto de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda passa a ser considerado uma emergência de saúde pública de importância internacional. A decisão foi tomada diante do aumento de casos e do risco de propagação para outros países da região.>
Segundo dados divulgados pela OMS, já foram registradas 80 mortes suspeitas, oito casos confirmados em laboratório e ao menos 246 infecções prováveis na província de Ituri, no Congo, que é o principal epicentro do surto. Em Uganda, dois casos relacionados a viagens ao país vizinho foram identificados, sendo que uma das vítimas, um homem de 59 anos, morreu.>
A organização alerta que, apesar de usar a classificação de emergência, o cenário não se enquadra como uma pandemia global neste momento. Ainda assim, há preocupação com a possibilidade de disseminação internacional da doença, especialmente devido ao intenso fluxo de pessoas entre áreas afetadas e países vizinhos.>
A OMS recomendou o isolamento imediato de casos confirmados, o rastreamento diário de contatos e restrições temporárias de viagens para pessoas expostas ao vírus por até 21 dias. Ao mesmo tempo, a entidade orienta que não haja fechamento de fronteiras nem bloqueio do comércio na região, para evitar impactos econômicos e sociais.>
O Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC) já havia alertado para o risco de expansão do surto, principalmente por conta da circulação constante de pessoas em regiões mineradoras da província de Ituri, o que facilita a disseminação do vírus.>
O ebola é uma doença grave, transmitida pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas ou com cadáveres durante rituais funerários. Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça e vômitos, podendo evoluir para hemorragias e falência de órgãos. A taxa de mortalidade pode chegar a cerca de 50%, segundo a OMS.>
Desde a identificação do vírus em 1976, o Congo já enfrentou 16 surtos da doença, em sua maioria causados pela cepa Zaire do ebola, para a qual existem vacinas. No entanto, o atual surto envolve a cepa Bundibugyo, que ainda não possui imunizante licenciado, o que aumenta a preocupação das autoridades de saúde.>