Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 07:31
Uma decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) passou a ser alvo de apuração após a divulgação de um trecho que sugere o uso de inteligência artificial na elaboração do texto. O caso envolve a absolvição de um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma criança de 12 anos.>
No documento assinado pelo desembargador Magid Nauef Láuar, há uma frase incomum para uma decisão judicial: “Agora melhore a exposição e fundamentação deste parágrafo.” A expressão, semelhante a comandos utilizados em ferramentas de inteligência artificial, aparece antes de dois parágrafos, um deles mais detalhado e outro em versão resumida, o que levantou suspeitas sobre a possível utilização de tecnologia generativa na redação do voto.>
A situação veio a público inicialmente pelo portal Núcleo e foi confirmada pela CNN Brasil. A repercussão levou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a determinar a abertura de um Pedido de Providências para analisar tanto o conteúdo da decisão quanto a conduta do magistrado.>
De acordo com a Resolução 615 do CNJ, o uso de inteligência artificial pode auxiliar magistrados na produção de decisões, desde que haja transparência e supervisão humana. O texto da norma destaca que qualquer ferramenta desse tipo deve ser utilizada com revisão e intervenção direta do juiz responsável.>
Além da apuração sobre a possível utilização de IA, o CNJ também investiga o desembargador por duas denúncias de assédio sexual. No caso que gerou a polêmica, o tribunal entendeu que o réu mantinha um “casamento” com a menina de 12 anos, argumento que fundamentou a absolvição.>
Em nota oficial, o TJMG informou que recebeu uma representação relatando os fatos e que já instaurou procedimento administrativo para verificar eventual infração funcional. A investigação deve esclarecer se houve irregularidade na elaboração da decisão e se as normas sobre o uso de inteligência artificial foram respeitadas.>