Publicado em 30 de junho de 2026 às 15:54
As notificações de violência infantojuvenil no Brasil registraram um salto alarmante de 125% entre os anos de 2020 e 2025, conforme dados do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan) analisados pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM). No início da década, o sistema recebia 73.635 ocorrências anuais, número que disparou para 165.413 registros no último ano, totalizando mais de 685 mil casos no período analisado.>
O perfil das vítimas revela que a maioria das denúncias envolve meninas e adolescentes do sexo feminino, que representam 62% das ocorrências, enquanto meninos aparecem em 38% dos registros.>
Em relação à natureza das agressões, a violência sexual aparece como o crime mais frequente, concentrando 34% das notificações nacionais. Logo em seguida, os casos de negligência e abandono respondem por 33,3% dos registros, enquanto a violência física atinge a marca de 32,9%. O estudo destaca ainda que a maior parte desses episódios ocorre dentro do próprio ambiente doméstico, sendo a mãe identificada como agressora em 34% dos casos e o pai em 26% das ocorrências registradas.>
A análise por faixa etária indica que a adolescência é o período de maior vulnerabilidade, concentrando 43% de todas as notificações registradas. A primeira infância, que abrange crianças de até seis anos de idade, surge logo atrás com 37,5% dos casos, evidenciando a gravidade do problema desde os primeiros anos de vida. Geograficamente, embora os estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais concentrem metade das notificações totais, o Nordeste apresentou a maior variação percentual do país, com um crescimento recorde de 1.200% nas denúncias, seguido da região Norte com 809%.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>