Publicado em 1 de janeiro de 2026 às 14:11
O deputado federal José Rocha, do União Brasil da Bahia, destinou R$ 1 milhão em recursos do orçamento secreto para a construção de uma estátua de grandes proporções em Coribe, município de cerca de 14 mil habitantes no sertão baiano e considerado seu principal reduto eleitoral.>
A escultura, que ainda não teve o formato definido, tem como objetivo criar um marco simbólico para a cidade. Segundo o próprio parlamentar, a ideia é que o monumento tenha relevância semelhante à do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.>
Questionado sobre o alto valor da obra diante das necessidades locais, Rocha rebateu fazendo uma comparação direta com o cartão-postal carioca.>
Coribe possui um Índice de Desenvolvimento Humano semelhante ao de países pobres da África, como o Zimbábue. Ainda assim, o deputado afirma que a estátua pode impulsionar o turismo e atrair visitantes de todo o Brasil para a cidade, que fica a cerca de 900 quilômetros de Salvador.>
O município tem forte ligação política com a família do parlamentar. O pai e o filho de José Rocha já foram prefeitos da cidade, que atualmente é administrada por um sobrinho do deputado.>
De acordo com imagens do local escolhido, o monumento deve ser construído em uma área afastada do centro urbano, na bifurcação de duas rodovias. A região não é habitada e a proposta prevê a transformação do espaço em um parque urbano.>
O cronograma apresentado aponta que a obra deve ser concluída até o fim de 2026. No entanto, o processo de licitação para iniciar a construção ainda não foi aberto.>
Além do R$ 1 milhão destinado especificamente para a estátua, por meio da Comissão de Turismo, José Rocha já direcionou mais de R$ 26,9 milhões em recursos do orçamento secreto para Coribe, usando emendas de comissão e de liderança.>
O caso chama atenção porque o próprio deputado já havia criticado o funcionamento do orçamento secreto no Congresso. Em outro momento, Rocha chegou a denunciar colegas da Câmara e procurou o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino para relatar supostos favorecimentos na distribuição das verbas. À época, Dino afirmou que não poderia ignorar as denúncias e determinou a abertura de investigação sobre o mecanismo.>