Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 13:22
Relatórios enviados pela Receita Federal à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS colocaram o deputado estadual Edson Júnior (PSB-MA) no centro das investigações que apuram irregularidades envolvendo descontos em benefícios previdenciários. De acordo com os dados fiscais, o parlamentar movimentou mais de R$ 18 milhões em apenas seis meses, no início de 2025, valor considerado incompatível com seus rendimentos declarados.>
A análise do sigilo fiscal, quebrado após deliberação da CPMI em novembro do ano passado, mostra que os recursos circularam por diversas contas bancárias, entre correntes e aplicações financeiras. A conta de maior volume registrou movimentação próxima de R$ 5 milhões no período. Em outra, passaram cerca de R$ 928,9 mil, com créditos e débitos praticamente equivalentes. Ambas estão vinculadas a uma agência do Banco do Brasil localizada no bairro Olho d’Água, área nobre de São Luís.>
Os números contrastam com os ganhos oficiais do deputado. Em dezembro de 2025, Edson Júnior recebeu pouco mais de R$ 25 mil líquidos da Assembleia Legislativa do Maranhão. Além disso, na prestação de contas das eleições de 2022, ele declarou patrimônio de R$ 939,5 mil, incluindo cerca de R$ 544,5 mil em aplicações financeiras.>
Vice-presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquacultura (CBPA), entidade investigada no esquema conhecido como “farra do INSS”, Edson Júnior também foi alvo da quarta fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal em novembro passado. A CBPA é suspeita de arrecadar aproximadamente R$ 99 milhões a partir de descontos em benefícios de aposentados.>
O avanço das apurações ganhou novos contornos em maio, quando a CPMI revelou que o deputado recebeu R$ 5,4 milhões da Federação das Colônias dos Pescadores do Estado do Maranhão, entre maio de 2023 e maio de 2024. A federação passou a ser investigada após a identificação de repasses oriundos da própria CBPA.>
Paralelamente às suspeitas financeiras, o parlamentar também se envolveu em um episódio de tensão política. No início de novembro, Edson Júnior foi acusado de ameaçar o deputado federal Duarte Júnior (PSB-MA), vice-presidente da CPMI do INSS. O caso levou Duarte a relatar preocupação com a segurança de sua família, incluindo a esposa grávida, e a registrar boletim de ocorrência com prints das mensagens recebidas.>
Diante da gravidade das ameaças, a CPMI solicitou proteção da Polícia Legislativa em Brasília e escolta da Polícia Federal no Maranhão para o deputado federal. O episódio ampliou a pressão sobre Edson Júnior, que, além de convocado a depor, passou a ser citado como um dos principais nomes sob escrutínio na investigação que apura desvios e irregularidades envolvendo entidades ligadas ao sistema previdenciário.>