Deputado Márcio Canella e ex-chefe da Polícia Civil são presos em esquema bilionário

Oitava fase da Operação cumpre mandados e bloqueia mais de 100 empresas suspeitas de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis.

Publicado em 15 de outubro de 2026 às 10:59

Deputado Márcio Canella e ex-chefe da Polícia Civil são presos em esquema bilionário
Deputado Márcio Canella e ex-chefe da Polícia Civil são presos em esquema bilionário Crédito: Reprodução/ Alerj

Uma megaoperação da Polícia Federal sacudiu o cenário político e de segurança pública do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (15). A oitava fase da Operação Unha e Carne resultou na prisão de seis pessoas, incluindo figuras de peso como o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) e o ex-secretário de Polícia Civil do estado, Marcus Vinicius Amim Fernandes.

A ofensiva mira uma organização criminosa suspeita de transformar uma enorme rede de postos de combustíveis na região metropolitana em um verdadeiro mecanismo de fachada para a lavagem de dinheiro. De acordo com relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) enviados à PF, o esquema movimentou a impressionante cifra de mais de 7 bilhões de reais ao longo dos últimos seis anos.

Além de Márcio Canella e Amim, os mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão que somam dezenas de ordens cumpridas em cidades como Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo também alcançaram o secretário municipal de ordem pública de Belford Roxo, Christiano Gaspar Fernandes, além de agentes policiais e outros investigados apontados como peças-chave no esquema de ocultação de bens.

O cerco contra a quadrilha envolveu decisões drásticas da Justiça, que ordenou o sequestro de bens e valores e suspendeu imediatamente as atividades econômicas de 112 empresas ligadas ao grupo. Do total de empresas na mira, 96 são postos de combustíveis usados para camuflar e legalizar o dinheiro de origem ilícita.

As investigações conduzidas pela Força-Tarefa Missão Redentor II apontam que a rede contava com forte articulação político-institucional e participação de agentes públicos. Entre os alvos, investigações da imprensa apontam que o operador por trás de parte do esquema seria ligado a antigas equipes chefiadas pelo próprio ex-secretário de polícia.

A prisão de Márcio Canella ocorre em um momento de alta visibilidade política para ele. No último domingo (4), Márcio Canella foi eleito como o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro, conquistando quase 198 mil votos.

O político, que já foi prefeito de Belford Roxo e deputado estadual, não é estranho ao radar da polícia. Em julho, ele chegou a ser preso em flagrante após agentes federais encontrarem um fuzil em seu veículo durante desdobramentos anteriores da mesma investigação. Na ocasião, Márcio Canella argumentou que a arma pertencia ao policial militar encarregado de sua segurança pessoal, tendo sido solto dias depois por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), mediante uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares.

A Operação Unha e Carne já acumula fases anteriores marcadas por prisões de figuras públicas e empresariais no estado. Na ação desta quinta-feira, os suspeitos respondem, de acordo com o grau de envolvimento de cada um, por crimes que vão de organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva até formação de cartel e venda ilegal de combustíveis.

Em nota, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil informou que apoia a operação da PF e reforçou que a instituição adota postura rigorosa contra qualquer desvio de conduta de seus agentes. As defesas dos citados e as prefeituras envolvidas seguem com espaço aberto para manifestações sobre as acusações.