Desembargador pode ter movimentado R$ 14,6 milhões com venda de sentenças

Segundo levantamento realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), os valores atribuídos ao magistrado seriam incompatíveis com seus rendimentos.

Publicado em 12 de junho de 2026 às 15:45

O desembargador afastado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Dirceu dos Santos, um dos alvos da Operação Gemini, da Polícia Federal (PF) 
O desembargador afastado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Dirceu dos Santos, um dos alvos da Operação Gemini, da Polícia Federal (PF)  Crédito: Reprodução/ Mídia News/ Redes Sociais

O desembargador afastado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Dirceu dos Santos, um dos alvos da Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na última semana, teria movimentado cerca de R$ 14,6 milhões nos últimos cinco anos, com a venda de sentenças.

Segundo levantamento realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), os valores atribuídos ao magistrado seriam incompatíveis com os rendimentos formalmente declarados durante o período analisado. A informação integra outro procedimento disciplinar que já tramitava contra o desembargador antes da nova ação da Polícia Federal.

Na última semana, Dirceu voltou a ser alvo de investigação durante a Operação Gemini, que apura um suposto esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro com ramificações no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

Além do desembargador afastado, a operação também atingiu o deputado estadual Faissal Calil (PL). Foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além de determinações judiciais para quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados.

De acordo com a Polícia Federal, a investigação busca esclarecer a existência de uma estrutura voltada à comercialização de decisões judiciais e à ocultação de recursos supostamente obtidos de forma ilícita.

Os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.