Publicado em 12 de agosto de 2026 às 09:14
A economia brasileira deu passos importantes no combate à fome e na geração de renda ao longo de 2025, mas falhou em distribuir os frutos desse progresso de maneira equilibrada. Relatório divulgado nesta quarta feira (12) pelo Observatório Brasileiro das Desigualdades aponta que, embora o país tenha evoluído em 71% dos 48 indicadores sociais monitorados, a distância econômica entre a parcela mais abastada e os mais vulneráveis voltou a se alargar. A expansão financeira no topo superou com folga os ganhos da base, consolidando um padrão em que o crescimento do país não se traduz, necessariamente, em igualdade social.>
Na prática, a fatia do 1% mais rico da população grupo composto por cerca de 2,1 milhões de pessoas encerrou o ano recebendo um rendimento médio 31,5 vezes maior do que o montante destinado aos 50% mais pobres, fatia que engloba mais de 100 milhões de brasileiros. Embora a renda média geral do trabalhador tenha subido 5,3% e alcançado a marca de R$ 3.376, o aumento ocorreu de forma assimétrica. A disparidade fica ainda mais evidente no recorte de gênero e raça: o ganho médio das mulheres negras ficou fixado em R$ 2.184, montante que representa menos da metade do recebido por homens não negros, cuja média atingiu R$ 5.172.>
O panorama geográfico reflete esse mesmo fosso. O Sudeste liderou com a maior discrepância entre extremos econômicos, com o topo da pirâmide faturando 30 vezes mais que a base regional. Por outro lado, o Norte segue enfrentando os maiores desafios em infraestrutura social e acesso básico a recursos. No campo do combate à fome, o estudo contabilizou saldo positivo com a queda da insegurança alimentar moderada ou grave para 7,7% das famílias, demonstrando que medidas de apoio e empregabilidade surtiram efeito imediato. Contudo, os especialistas do relatório advertem que, sem reformas estruturais profundas na taxação e no mercado de trabalho, o país continuará preso ao paradoxo de ver a qualidade de vida geral subir sem conseguir reduzir a histórica concentração de riqueza.>