Dia Mundial da Liberdade de Imprensa: hostilidade à atividade jornalística abala sustentabilidade de profissionais e veículos

Os dados são cada vez mais negativos para jornalistas e veículos independentes em todo o globo.

Publicado em 3 de maio de 2026 às 12:12

Os defensores da democracia têm de agir agora e de forma eficaz na defesa do jornalismo e de sua sustentabilidade.
Os defensores da democracia têm de agir agora e de forma eficaz na defesa do jornalismo e de sua sustentabilidade. Crédito: Reprodução/ IstockPhoto.com

Neste domingo, dia 3 de maio, é celebrado o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, e a Associação Nacional de Jornais (ANJ), divulgou uma nota ressaltando os desafios enfrentados por veículos e profissionais, que muitas das vezes arriscam suas vidas em busca da verdade com credibilidade.

O manifesto destaca o momento de grande hostilidade à atividade jornalística e, em paralelo, a necessidade urgente de firme defesa da sustentabilidade do jornalismo.

Leia:

No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (3), como acontece desde a criação da data pela ONU, em 1993, os dados são cada vez mais negativos para jornalistas e veículos independentes em todo o globo.

A situação é alarmante, com assassinatos, prisões, assédios, ameaças, campanhas organizadas para desacreditar profissionais e empresas de comunicação, censura prévia, desinformação, criminalização e retórica hostil, sobretudo nas redes sociais e contra as mulheres. Há perseguição judicial e uso de estruturas estatais para limitar a circulação de informação. Não apenas nas autocracias, mas também em muitas democracias.

O cenário é sintetizado pelo índice do Ranking 2026 de Liberdade de Imprensa da RSF, no nível mais baixo em 25 anos. De acordo com a UNESCO, houve queda de 10% na liberdade de expressão desde 2012, enquanto a autocesura cresceu 63%.

Nas Américas, segundo a SIP, a liberdade de imprensa enfrenta ’cerco coordenado e cada vez mais normalizado’. No Brasil, relatório anual da Abert registrou, por exemplo, 900 mil ataques virtuais contra jornalistas e veículos em 2025, acréscimo de 35% em relação ao período anterior. Os registros de censura subiram 57% em relação a 2024.

Não há como prosseguir dessa forma.

Os defensores da democracia têm de agir agora e de forma eficaz na defesa do jornalismo e de sua sustentabilidade.

Sem jornalismo não há democracia. E isso não é uma frase de efeito.

Jornalismo livre e responsável garante o aperfeiçoamento do processo democrático. Impulsiona o desenvolvimento sustentável, protege e amplia direitos civis e humanos. Fortalece a cidadania.

Oferece acesso a fatos. Revela o que querem esconder. Sustenta o debate público e viabiliza o escrutínio de quem tem poder.

Melhora decisões e amplia eficiência econômica, política, social e ambiental.

Expõem corrupção, ineficiências e desvios, com efeitos sobre contas públicas, ambiente de negócios e alocação de recursos.

Informa e permite mais capacidade crítica.

Oferece pluralidade. Amplia a capacidade de escolha e de cobrança.

Sem jornalismo, a democracia entra em falência, com a ruína de direitos, liberdades e oportunidades de progresso.

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS