Publicado em 9 de setembro de 2026 às 16:20
Nesta quarta-feira (9), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal. O delegado havia sido afastado preventivamente na terça-feira (8) por decisão do ministro André Mendonça, em meio ao conflito envolvendo a atuação da PF no caso Banco Master.>
A decisão de Dino também determina o retorno de Leandro Almada ao cargo de diretor de Inteligência Policial. Os dois haviam sido afastados por Mendonça após uma decisão provocada por uma ação apresentada pelo partido Novo ao STF.>
Andrei recorreu ao próprio Dino, que é relator do inquérito relacionado ao caso conhecido como “Dark Horse”. Na petição, o diretor-geral argumentou que o afastamento poderia prejudicar o cumprimento de diligências determinadas pela própria Corte.>
Ao suspender o afastamento, Dino afirmou que a medida era necessária para garantir o cumprimento das decisões tomadas no processo e evitar interferências externas que pudessem comprometer as investigações.>
O ministro também criticou um trecho da decisão de Mendonça que havia proibido a produção, elaboração ou compartilhamento de relatórios de inteligência destinados à análise de atos praticados por integrantes do Judiciário, da advocacia pública e da polícia judiciária.>
Segundo Dino, a restrição poderia prejudicar procedimentos sob sua relatoria e interferir no trabalho da Polícia Federal. O ministro afirmou ainda que eventuais divergências de Mendonça com a PF podem ser discutidas pelas vias adequadas, mas não devem resultar em uma decisão que paralise investigações.>
Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei e Almada na terça-feira (8). A decisão ocorreu após uma petição apresentada pelo Novo, que acusou a Polícia Federal de produzir relatórios paralelos sobre a atuação do ministro no caso Banco Master.>
Mendonça classificou a suposta prática como “arapongagem institucional” e afirmou que havia indícios de que Alexandre de Moraes tinha conhecimento prévio de relatórios que posteriormente teriam sido utilizados para incluí-lo no inquérito das fake news.>
A Segunda Turma do STF chegou a formar maioria para manter o afastamento, com votos de Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. O julgamento, porém, foi interrompido após Gilmar Mendes pedir vista.>
A Polícia Federal nega irregularidades e sustenta que sua atuação foi técnica e regular. O diretor-executivo da corporação, William Marcel Murad, também saiu em defesa de Andrei.>
Em apoio aos dois delegados, os 11 diretores da PF colocaram os cargos à disposição de Murad, que havia assumido interinamente o comando da instituição após o afastamento de Andrei.>
A Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou que pretende recorrer da decisão de Mendonça. O governo argumenta que o ministro interferiu em uma atribuição do presidente da República, responsável pela nomeação do diretor-geral da PF.>
O caso ampliou a crise entre integrantes do STF e a cúpula da Polícia Federal e passou a envolver também uma disputa sobre os limites da atuação do Judiciário em relação ao comando da corporação.>