Publicado em 13 de setembro de 2026 às 13:09
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste domingo (13), o levantamento do sigilo de materiais apreendidos durante uma investigação da Polícia Civil de São Paulo relacionada ao financiamento do filme Dark Horse, produção que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).>
A decisão inclui documentos, celulares, computadores e outros dados recolhidos durante a apuração. O material deverá ser encaminhado à Polícia Federal, que investiga suspeitas de desvio de recursos públicos e possíveis irregularidades envolvendo emendas parlamentares e contratos com a Prefeitura de São Paulo.>
Segundo Dino, os elementos reunidos até o momento reforçam a hipótese de existência de um suposto esquema estruturado para destinação e eventual desvio de recursos públicos. A investigação também menciona uma possível conexão entre integrantes do esquema e o Primeiro Comando da Capital (PCC).>
Mário Frias é citado na investigação>
O deputado federal Mário Frias (PL-SP), que participou da produção de Dark Horse, é mencionado reiteradamente no material investigativo. Segundo a decisão de Dino, ele aparece, dentro da linha investigativa, como possível liderança da suposta estrutura criminosa.>
A citação, porém, faz parte de uma investigação ainda em andamento e não representa uma conclusão judicial sobre a participação do parlamentar em crimes.>
Frias é um dos alvos da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (10). A operação apura suspeitas relacionadas ao uso de emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produção do filme. Ao todo, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em quatro estados e no Distrito Federal.>
Suspeita envolve emendas e empresas>
A investigação apura principalmente o destino de recursos públicos destinados por Mário Frias ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade presidida pela empresária Karina da Gama, ligada à produção do longa.>
De acordo com as apurações divulgadas, R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas pelo deputado ao instituto passaram a ser analisados pela PF após a identificação de movimentações consideradas suspeitas e de possíveis conexões com empresas envolvidas na produção do filme.>
As autoridades investigam possíveis crimes como peculato, lavagem de dinheiro, falsidade documental, organização criminosa e desvio de recursos públicos.>
Possível elo com o PCC>
Na decisão, Flávio Dino também menciona uma possível conexão entre empresas investigadas e integrantes do PCC. Um dos nomes citados é o de Alex Leandro Bispo dos Santos, apontado em documentos da investigação como pessoa ligada à facção criminosa.>
A empresa Urban Connect, ligada a Alex, teria recebido mais de R$ 1,2 milhão em transferências do Instituto Conhecer Brasil em 2025. Os investigadores analisam o caminho percorrido pelos recursos e possíveis repasses posteriores para outras empresas.>
O ministro afirmou que os elementos analisados indicam, em tese, a possibilidade de que diferentes movimentações façam parte de um mesmo sistema investigado.>
Sigilo derrubado>
Ao retirar o sigilo dos documentos, Dino afirmou que a publicidade dos elementos já documentados na investigação é necessária e citou a necessidade de evitar vazamentos seletivos.>
Com a decisão, a Polícia Federal terá acesso integral ao material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo, incluindo dados extraídos de aparelhos eletrônicos e documentos relacionados às pessoas físicas e jurídicas investigadas.>
As investigações continuam e ainda deverão esclarecer a origem, o destino e a eventual utilização irregular dos recursos públicos analisados no caso.>
Com informações do portal g1>