Dino pede vista e suspende sessão do STF sobre Moraes

Placar fica em 4 a 3 contra julgamento conjunto com Mendonça; Cármen Lúcia pede desculpas ao país

Publicado em 15 de setembro de 2026 às 18:50

Flávio Dino é ministro do STF
Flávio Dino é ministro do STF Crédito: Reprodução

O ministro Flávio Dino pediu vista, nesta terça-feira (15), e interrompeu a sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal que analisava o relatório da Polícia Federal com mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Com a decisão, o julgamento fica suspenso por até 90 dias.

Antes da interrupção, o placar da questão de ordem sobre a união dos processos envolvendo Moraes e André Mendonça ficou em 4 votos a 3 contra a análise conjunta.

Como ficou o placar

Votaram por manter os casos separados:

Edson Fachin (presidente e relator), André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia.

Votaram pela junção dos julgamentos:

Flávio Dino, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes.

Os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam impedidos e não participaram da votação.

Sessão marcada por tensão

A reunião foi uma das mais conturbadas da história recente do STF. Houve bate-bocas, acusações cruzadas e críticas abertas à condução dos trabalhos. Dino classificou a sessão de “desastrada” e afirmou que o clima no plenário estava degradando a imagem da Corte, justificando o pedido de vista.

Durante seu voto, a ministra Cármen Lúcia fez uma autocrítica institucional. Declarou que o Supremo provocou um “mal-estar cívico” no país, que se sente “envergonhada” e pediu desculpas ao povo brasileiro.

“Eu peço desculpa ao povo brasileiro que esperava uma postura diferente. Houve uma espetacularização destes casos, desta sessão”, disse a ministra. Segundo ela, o Judiciário existe para tranquilizar a sociedade, mas o STF gerou intranquilidade a menos de 20 dias das eleições de 2026.

O que estava em jogo

A sessão havia sido convocada para decidir se o relatório da PF, que aponta relação entre Moraes e Vorcaro, justificaria a abertura de investigação contra o ministro – algo inédito na história do tribunal. Antes de chegar ao mérito, o plenário discutiu se os casos de Moraes e Mendonça deveriam ser julgados juntos, com possível adiamento para o dia 23 de setembro e redistribuição da relatoria.

Fachin defendeu a manutenção dos processos separados e a continuidade da análise nesta terça. Já o grupo liderado por Dino argumentava que as bases fáticas eram as mesmas e que a separação poderia gerar decisões contraditórias.

Próximos passos

Com o pedido de vista de Dino, a deliberação fica suspensa. O ministro tem até 90 dias para devolver o processo, mas a sessão pode ser retomada antes caso haja liberação antecipada. A data de retorno ainda será definida pelo presidente Edson Fachin.

A crise institucional no Supremo, deflagrada pelas revelações do caso Master, permanece aberta e deve continuar no centro do debate político nas próximas semanas.

Com informações do STF