Diretores da PF colocam cargos à disposição após afastamento de Andrei Rodrigues

Em nota conjunta, 11 integrantes da cúpula da corporação defenderam o diretor-geral e o diretor de Inteligência e repudiaram as acusações contra a instituição

Publicado em 8 de setembro de 2026 às 15:42

Em nota conjunta, 11 integrantes da cúpula da corporação defenderam o diretor-geral e o diretor de Inteligência e repudiaram as acusações contra a instituição
Em nota conjunta, 11 integrantes da cúpula da corporação defenderam o diretor-geral e o diretor de Inteligência e repudiaram as acusações contra a instituição Crédito: Reprodução 

Nesta terça-feira (8), 11 diretores da Polícia Federal (PF) colocaram seus cargos à disposição após o afastamento preventivo do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. A medida foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e provocou uma reação conjunta da cúpula da PF.

Em nota pública, os 11 diretores manifestaram “total apoio” a Andrei e Almada e classificaram como “injustificados” os ataques direcionados à Polícia Federal ao longo do dia. Ao final do documento, os integrantes afirmaram colocar os cargos à disposição do diretor-geral substituto, William Marcel Murad.

Até então diretor-executivo da PF, Murad assumiu temporariamente o comando da corporação após o afastamento de Andrei.

A decisão de colocar os cargos à disposição não significa que os diretores tenham sido exonerados ou deixado imediatamente suas funções. Na prática, a medida permite que o novo comando avalie a permanência de cada integrante nos respectivos cargos.

Na nota, os diretores defenderam diretamente a atuação de Andrei Rodrigues e Leandro Almada e rejeitaram as acusações feitas contra a cúpula da corporação.

“Narrativas marcadamente influenciadas por interesses político-eleitorais não têm o poder de apagar a história, a reputação e a trajetória profissional de quem quer que seja”, afirmaram.

O grupo também repudiou “toda e qualquer tentativa” de atribuir aos dois delegados ou à própria Polícia Federal uma atuação “não republicana”. Segundo os diretores, as acusações são “desprovidas de fundamento” e representam uma afronta à “história, credibilidade e compromisso institucional” da corporação.

Assinaram a manifestação Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção; Fabrício Schommer Kerber, diretor de Polícia Administrativa; Otavio Margonari Russ, diretor de Combate a Crimes Cibernéticos; Felipe Tavares Seixas, diretor de Cooperação Internacional; Helena de Rezende, diretora de Gestão de Pessoas; Roberto Reis Monteiro Neto, diretor Técnico-Científico; André Luis Lima Carmo, diretor de Administração e Logística; Christiane Correa Machado, diretora de Ensino da Academia Nacional de Polícia; Alexsander Castro de Oliveira, diretor de Proteção à Pessoa; Ademir Dias Cardoso Júnior, diretor de Tecnologia da Informação e Inovação; e Humberto Freire de Barros, diretor da Amazônia e Meio Ambiente.

Também nesta terça-feira (8), André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e Leandro Almada da Costa.

Na decisão, o ministro afirmou que a medida tem como objetivo preservar as garantias funcionais da magistratura e garantir condições para que ministros do STF, o advogado-geral da União e servidores da própria Polícia Federal exerçam suas funções sem o que classificou como “constrangimentos ilegais”.

Mendonça também citou a necessidade de preservar a segurança e a integridade dos envolvidos e assegurar condições para a apuração da produção de materiais de inteligência.

Além dos afastamentos, o ministro determinou que a Corregedoria da Polícia Federal instaure procedimentos de investigação nas áreas penal e administrativo-disciplinar para apurar as circunstâncias relacionadas à produção de relatórios de inteligência sobre autoridades.

Os afastamentos têm caráter preventivo e, portanto, não representam condenação nem uma conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade dos dois delegados.