Eduardo Bolsonaro recua e admite gestão financeira em filme sobre o pai

Após negar envolvimento administrativo, ex-deputado confirma investimento de R$ 350 mil e contrato de gestão em produção cinematográfica.

Publicado em 18 de maio de 2026 às 11:35

Ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em menos de 24 horas, o cenário em torno da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro ganhou um novo capítulo. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro voltou atrás em suas declarações e admitiu publicamente que teve, sim, papel ativo na administração financeira de Dark Horse, filme que vai contar a história de seu pai. Além da gestão, o político confirmou ter desembolsado R$ 350 mil do próprio bolso para dar o pontapé inicial no projeto de Hollywood.

A mudança de discurso chama a atenção pela rapidez. Inicialmente, Eduardo havia usado suas redes sociais para afastar qualquer ligação com o dinheiro do filme, assegurando que sua única participação no projeto era a cessão dos direitos de imagem. No entanto, a versão mudou logo no dia seguinte. O ex-deputado confirmou que assinou um contrato que lhe dava poderes de gestão e que o valor investido por ele foi usado para garantir o renomado diretor norte-americano Cyrus Nowrasteh na elaboração do roteiro.

De acordo com a nova explicação de Eduardo, os R$ 350 mil iniciais foram frutos dos lucros obtidos com a venda de um curso digital de sua autoria. Ele revelou que o montante já foi devolvido à sua conta, mas o mistério permanece: não foi detalhado quem realizou o reembolso ou como essa transação foi feita. A justificativa para o aporte financeiro de emergência foi o risco de perder o diretor estrangeiro caso o contrato não mudasse a tempo, o que acabou abrindo portas para a chegada de grandes investidores.

Mas os valores de Dark Horse vão muito além desse investimento inicial. O projeto ganhou proporções milionárias após revelações de que o senador Flávio Bolsonaro teria articulado a busca por um financiamento de R$ 134 milhões para a obra. Desse total, cerca de R$ 61 milhões foram efetivamente repassados por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

A rota desse dinheiro, inclusive, desenha um mapa internacional. O montante bilionário foi enviado por meio da empresa Entre Investimentos para o Havengate Development Fund LP, um fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, que tem aliados de Eduardo Bolsonaro no controle.

Enquanto as cifras bilionárias movimentam os bastidores internacionais, quem está com a mão na massa na parte criativa afirma estar por fora do caixa. O deputado Mario Frias, que assina o roteiro do longa, junto com a equipe da produtora responsável por tirar o filme do papel, declararam publicamente que não receberam ou tiveram acesso a qualquer parte dessa verba robusta vinda do setor bancário.