Eduardo Cunha diz que impeachment de Dilma abriu caminho para eleição de Bolsonaro

Ex-presidente da Câmara afirma que processo de 2016 mudou os rumos da política brasileira

Publicado em 14 de abril de 2026 às 13:08

Eduardo Cunha diz que impeachment de Dilma abriu caminho para eleição de Bolsonaro
Eduardo Cunha diz que impeachment de Dilma abriu caminho para eleição de Bolsonaro Crédito: Agência Brasil 

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (Republicanos), voltou a defender sua atuação no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e afirmou que o processo, ocorrido em 2016, foi decisivo para transformar o cenário político do país. Segundo ele, a destituição de Dilma abriu caminho para a ascensão de lideranças da direita, incluindo a eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2018.

A declaração foi dada em entrevista ao jornal O Tempo, na qual Cunha também deixou claro que pretende usar o episódio como principal argumento de campanha nas eleições de 2026. Pré-candidato a deputado federal por Minas Gerais, o ex-parlamentar afirma que sua participação no impeachment faz parte de seu “currículo político” e deve ser apresentada aos eleitores como prova de sua atuação no Congresso Nacional.

“Sem o impeachment, Bolsonaro não teria sido presidente, e outros nomes da direita não teriam ganhado protagonismo”, afirmou. Cunha também disse não ter arrependimentos sobre sua decisão e reforçou que repetiria a mesma conduta, admitindo apenas que poderia ter conduzido o processo de forma mais rápida.

O impeachment de Dilma Rousseff foi um dos episódios mais marcantes da política recente no Brasil. O processo teve início na Câmara dos Deputados, sob comando de Cunha, e se estendeu por cerca de oito meses até a decisão final do Senado, que resultou na saída definitiva da presidente do cargo. À época, Dilma foi acusada de cometer irregularidades fiscais, conhecidas como “pedaladas fiscais”, além da edição de decretos orçamentários sem autorização do Congresso Nacional.

Cunha, no entanto, sustenta que a principal motivação para aceitar o pedido de impeachment foi a alteração da meta fiscal por meio de decretos presidenciais enquanto o orçamento ainda tramitava no Legislativo. Para ele, a medida representou violação da Lei de Responsabilidade Fiscal e da Lei Orçamentária.

Após anos afastado do cenário político, o ex-deputado tenta retornar à Câmara. Ele já exerceu quatro mandatos pelo Rio de Janeiro, mas, após uma derrota em São Paulo nas eleições de 2022, decidiu transferir seu domicílio eleitoral para Minas Gerais. Segundo Cunha, a mudança ocorreu há cerca de um ano e meio, motivada por interesses empresariais e pela necessidade de acompanhar negócios no estado, como um sistema de rádios evangélicas.

A trajetória política do ex-presidente da Câmara também é marcada por investigações. Ele foi um dos nomes centrais da Operação Lava-Jato, tendo sido preso em 2016 e condenado a mais de 16 anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Em 2023, porém, a condenação foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal, que determinou o envio do caso à Justiça Eleitoral do Distrito Federal, reiniciando a tramitação do processo. A defesa alegou que Cunha era alvo de perseguição.

De olho nas eleições de 2026, o ex-parlamentar também articula alianças políticas em Minas Gerais. Ele afirmou manter diálogo com diferentes partidos e defendeu, por exemplo, o nome do ex-secretário Marcelo Aro para o Senado. No entanto, ressaltou que o cenário ainda está em construção e que decisões sobre apoios dependerão da definição dos demais candidatos.