Publicado em 7 de maio de 2026 às 18:21
Estudantes da USP (Universidade de São Paulo) bloquearam com um cordão humano a entrada da reitoria da instituição, na manhã de hoje, em meio à greve estudantil que já dura três semanas e cobra ampliação da assistência socioeconômica e melhores condições de permanência universitária.>
O ato começou no início da manhã, por volta das 6h, quando alunos se organizaram lado a lado ao redor do prédio. Uma segunda manifestação está agendada para esta tarde.>
Entre as reivindicações também está o retorno das negociações com a gestão da universidade, que encerrou tratativas no início da semana após três reuniões nos quais foram obtidos avanços, na visão da reitoria. A decisão foi criticada pelos estudantes.>
Em publicação nas redes sociais, o DCE Livre da USP, afirmou que a ocupação é uma resposta à postura da administração da universidade diante da paralisação. "Se a reitoria não vai nos receber hoje [quinta-feira], não tem motivo para ela funcionar", escreveu o DCE.>
Na publicação os estudantes também criticam declarações do reitor, Aluisio Segurado, e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, interpretadas pelo movimento como tentativas de enfraquecer a mobilização. "Quem decide quando a greve dos estudantes acaba são os próprios estudantes", afirmam.>
O principal ponto de divergência entre os alunos e a reitoria é o reajuste do PAPFE (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil), principal política de assistência socioeconômica da universidade. Atualmente, os benefícios variam entre cerca de R$ 330 para estudantes com moradia e R$ 885 mensais para auxílio integral, além da gratuidade nos restaurantes universitários.>
A USP propôs um reajuste baseado no índice IPC-FIPE. Com isso, o valor integral passaria para R$ 912 mensais, enquanto o auxílio parcial com moradia subiria para R$ 340. Os estudantes, no entanto, reivindicam que o benefício seja equivalente ao salário mínimo paulista, atualmente em R$ 1.804, além da ampliação do programa.>
Segundo a reitoria, o PAPFE atendeu 17.587 estudantes de graduação e pós-graduação em abril. O orçamento previsto pela universidade para 2026 destinado a auxílios, bolsas, moradia estudantil, restaurantes universitários, esporte e assistência à saúde é de R$ 461 milhões.>
As condições dos restaurantes universitários também estão entre as principais reclamações dos estudantes. Nos últimos meses, alunos relataram problemas recorrentes de qualidade da alimentação, incluindo denúncias de comida estragada e presença de larvas no restaurante da Faculdade de Direito.>