Lula encontra Trump na Casa Branca e minimiza interferência nas eleições brasileiras

Lula falou com a imprensa brasileira na Embaixada do Brasil em Washington, após um almoço com Trump.

Publicado em 7 de maio de 2026 às 18:46

(Presidente Lula em visita aos Estados Unidos) 
(Presidente Lula em visita aos Estados Unidos)  Crédito: Ricardo Stuckert - PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu-se nesta quinta-feira (7), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em um encontro que durou cerca de três horas no Salão Oval. Após o encontro, Lula afirmou a jornalistas que a reunião ajudou a estabilizar as relações bilaterais e ironizou qualquer tentativa de interferência americana nas eleições brasileiras de outubro.

“Se o Trump tentou interferir nas eleições brasileiras, ele perdeu”, declarou Lula, referindo-se especialmente ao pleito de 2022. O presidente brasileiro completou que não acredita em influência significativa de Trump no processo eleitoral deste ano. “Não acredito que ele terá influência nas eleições brasileiras, até porque quem vota é o povo brasileiro. Quem vai decidir a eleição brasileira é o povo brasileiro”, disse.

A reunião foi classificada pela Casa Branca como uma “visita de trabalho”, formato mais informal. Os principais temas discutidos incluíram tarifas americanas sobre produtos brasileiros, cooperação no combate ao crime organizado transnacional (com destaque para facções como o PCC), minerais críticos e a normalização das relações comerciais, que vinham tensas desde o retorno de Trump ao poder.

Não houve coletiva de imprensa conjunta no Salão Oval, como inicialmente previsto. Lula falou com a imprensa brasileira na Embaixada do Brasil em Washington, após um almoço com Trump.

Contexto da visita

O encontro ocorre em um momento delicado para ambos os líderes. Lula busca reaproximação com Washington para evitar novas tarifas e blindar o processo eleitoral de eventuais influências externas, enquanto Trump lida com sua própria agenda interna e pressões de aliados bolsonaristas radicados nos EUA.

Diplomatas brasileiros avaliavam que o diálogo direto com Trump poderia reduzir o espaço de influência da oposição brasileira junto à administração americana. Lula reforçou que presidentes não devem interferir em eleições de outros países, mas avaliou positivamente o tom da conversa, dizendo que Trump “gosta do Brasil”.

A visita acontece a menos de cinco meses das eleições presidenciais brasileiras, nas quais Lula deve buscar a reeleição. Nas últimas semanas, o petista já havia ironizado publicamente a hipótese de interferência de Trump, afirmando inclusive que ela poderia beneficiá-lo politicamente.

Até o momento, não há detalhes oficiais sobre acordos concretos assinados durante o encontro. Auxiliares de Lula classificaram a reunião como produtiva para o restabelecimento do diálogo bilateral.

Com informações do portal Metrópoles