Publicado em 21 de setembro de 2026 às 18:47
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando em entrevista à CNN que o líder norte-americano "age como um imperador" ao impor a "lei do mais forte" na relação entre as nações. Em viagem a Nova York para discursar na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), o chefe do Executivo brasileiro declarou que fará todos os esforços para negociar a redução das tarifas aplicadas contra exportações nacionais. Caso as negociações não avancem por recusa de Washington, o governo brasileiro estuda aplicar concretamente a Lei de Reciprocidade Econômica aprovada pelo Congresso.>
A tensão comercial se intensificou após a imposição de sobretaxas pelo governo norte-americano que somam até 37,5% sobre produtos brasileiros. A ofensiva inclui uma tarifa de 25% motivada por disputas envolvendo o sistema PIX, a regulação de plataformas digitais e o etanol, além de uma taxa adicional de 12,5% sob alegação de falhas na fiscalização do trabalho forçado.>
Embora itens como carne bovina, café e celulose tenham entrado na lista de isenções, setores de peso como o de maquinário agrícola e o de etanol foram diretamente atingidos. O Brasil formalizou o acionamento da lei de reciprocidade e abriu consultas diplomáticas na Organização Mundial do Comércio (OMC), mas até o momento não aplicou retaliações práticas diretas contra o mercado norte-americano.>
Durante a entrevista, o presidente lembrou que o Brasil mantém déficit na balança comercial com os Estados Unidos, classificando o "tarifaço" como uma medida injusta. Além do impasse econômico, Lula classificou como "grave" a ação militar recente dos Estados Unidos em território venezuelano que capturou Nicolás Maduro. O presidente brasileiro também abordou as eleições marcadas para 4 de outubro, expressando preocupação com possíveis interferências via inteligência artificial e criticando a atuação de opositores que atuam no exterior contra o país.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>