Em Nova York, Lula diz que Trump 'age como imperador' e avalia reciprocidade contra tarifas dos EUA

Governo estuda taxar produtos dos EUA caso conversas não avancem

Publicado em 21 de setembro de 2026 às 18:47

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Audiência ao Prefeito da Cidade de Nova York.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Audiência ao Prefeito da Cidade de Nova York. Crédito: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando em entrevista à CNN que o líder norte-americano "age como um imperador" ao impor a "lei do mais forte" na relação entre as nações. Em viagem a Nova York para discursar na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), o chefe do Executivo brasileiro declarou que fará todos os esforços para negociar a redução das tarifas aplicadas contra exportações nacionais. Caso as negociações não avancem por recusa de Washington, o governo brasileiro estuda aplicar concretamente a Lei de Reciprocidade Econômica aprovada pelo Congresso.

A tensão comercial se intensificou após a imposição de sobretaxas pelo governo norte-americano que somam até 37,5% sobre produtos brasileiros. A ofensiva inclui uma tarifa de 25% motivada por disputas envolvendo o sistema PIX, a regulação de plataformas digitais e o etanol, além de uma taxa adicional de 12,5% sob alegação de falhas na fiscalização do trabalho forçado.

Embora itens como carne bovina, café e celulose tenham entrado na lista de isenções, setores de peso como o de maquinário agrícola e o de etanol foram diretamente atingidos. O Brasil formalizou o acionamento da lei de reciprocidade e abriu consultas diplomáticas na Organização Mundial do Comércio (OMC), mas até o momento não aplicou retaliações práticas diretas contra o mercado norte-americano.

Durante a entrevista, o presidente lembrou que o Brasil mantém déficit na balança comercial com os Estados Unidos, classificando o "tarifaço" como uma medida injusta. Além do impasse econômico, Lula classificou como "grave" a ação militar recente dos Estados Unidos em território venezuelano que capturou Nicolás Maduro. O presidente brasileiro também abordou as eleições marcadas para 4 de outubro, expressando preocupação com possíveis interferências via inteligência artificial e criticando a atuação de opositores que atuam no exterior contra o país.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.