Estresse pode estar por trás de dores de estômago, refluxo e prisão de ventre, alerta especialista

Até 70% dos pacientes com problemas gastrointestinais apresentam fatores emocionais associados, segundo dados internacionais

Publicado em 30 de setembro de 2025 às 16:40

Estresse pode estar por trás de dores de estômago, refluxo e prisão de ventre, alerta especialista
Estresse pode estar por trás de dores de estômago, refluxo e prisão de ventre, alerta especialista Crédito: drazen_zigic

Aquela dor de estômago persistente, o refluxo que se intensifica à noite ou a prisão de ventre frequente podem ter uma causa invisível: o estresse. De acordo com a Organização Mundial de Gastroenterologia, entre 60% e 70% dos pacientes com queixas gastrointestinais apresentam fatores emocionais envolvidos, como ansiedade, estresse crônico e tensão acumulada.

A ciência já reconhece a relação direta entre mente e intestino, tanto que o sistema digestivo é chamado de “segundo cérebro”. Isso porque o intestino possui uma complexa rede de neurônios, o sistema nervoso entérico, que se comunica diretamente com o cérebro por meio de um eixo conhecido como eixo cérebro-intestino.

“O estresse afeta diretamente o funcionamento do sistema digestivo. A liberação de cortisol, por exemplo, pode alterar o trânsito intestinal, aumentar a produção de ácido gástrico e reduzir a eficácia da digestão”, explica o gastroenterologista da Hapvida, José Marcos Costa. “É por isso que, diante de situações emocionais intensas, muitas pessoas desenvolvem sintomas como azia, náusea, dores abdominais ou constipação”, acrescenta.

Além de causar desconfortos momentâneos, o estresse pode agravar condições crônicas, como a síndrome do intestino irritável, gastrite e refluxo gastroesofágico. Pesquisa publicada no Journal of Neurogastroenterology and Motility indica que pacientes com altos níveis de ansiedade têm até três vezes mais chances de desenvolver refluxo, mesmo sem lesões detectáveis no esôfago.

O especialista reforça que buscar ajuda médica é fundamental quando os sintomas passam a interferir na rotina. “Muitas pessoas procuram ajuda tardiamente, achando que os sintomas são apenas consequência de uma má alimentação. Mas, em boa parte dos casos, o problema é multifatorial, envolvendo também a saúde emocional. É fundamental buscar orientação médica quando há desconforto persistente, alterações no hábito intestinal ou dores frequentes”, orienta Costa.

Como proteger o sistema digestivo dos efeitos do estresse

  • Alimentação equilibrada: priorizar fibras, reduzir ultraprocessados, álcool, cafeína e alimentos muito gordurosos.

  • Atividade física regular: contribui tanto para o trânsito intestinal quanto para a regulação do humor.

  • Momentos de relaxamento: reservar pausas para autocuidado e desconexão.

  • Apoio psicológico: deve ser considerado quando há sobrecarga emocional.

“O intestino responde ao nosso estado emocional de forma imediata. Muitas vezes, ele dá sinais antes mesmo de termos consciência de que algo não vai bem. Por isso, é essencial olhar para o corpo como um todo. Cuidar da mente é também cuidar dos aspectos gástricos”, conclui o especialista.