Ex-governador é o principal alvo da PF em esquema bilionário do Rioprevidência

Investigação aponta o político fluminense como peça-chave na transferência suspeita de R$ 3 bilhões do fundo de pensão dos servidores para um banco privado.

Publicado em 26 de maio de 2026 às 07:29

Ex-governador é o principal alvo da PF em esquema bilionário do Rioprevidência
Ex-governador é o principal alvo da PF em esquema bilionário do Rioprevidência Crédito: Rogério Santana/Governo do Rio de Janeiro

O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, voltou ao centro dos holofotes policiais nesta terça-feira (26). Ele é o principal alvo da oitava fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular um suposto esquema de crimes financeiros. Com autorização do Supremo Tribunal Federal, os agentes federais saíram às ruas para cumprir 10 mandados de busca e apreensão direcionados ao político e a outros envolvidos, concentrando as ações na capital fluminense e em Brasília.

A suspeita que pesa sobre Castro envolve o direcionamento de uma verdadeira fortuna do Rioprevidência, o fundo que garante a aposentadoria dos servidores públicos estaduais. A Polícia Federal apura o motivo de o instituto ter injetado R$ 3 bilhões em ativos e fundos de investimento de uma instituição financeira privada pertencente ao empresário Daniel Vorcaro, levantando alertas sobre possíveis fraudes e favorecimento político.

Essa nova ofensiva contra o ex-governador é um desdobramento direto de uma apuração anterior, a Operação Barco de Papel. Na primeira fase analisada pelos investigadores, entre outubro de 2023 e julho de 2024, o fundo estadual enviou cerca de R$ 970 milhões para o banco privado. A suspeita sobre a gestão de Castro aumentou ainda mais quando a PF descobriu que, logo em seguida, a partir de julho de 2024, outra bolada de R$ 2,01 bilhões foi transferida para a mesma instituição.

Com as buscas realizadas nas residências e escritórios ligados a Cláudio Castro nesta manhã, os policiais tentam reunir provas extras, como contratos, mídias digitais e mensagens de celular. O objetivo final é mapear a linha de comando que autorizou essas movimentações bilionárias e entender o grau de envolvimento do ex-governador na engrenagem que utilizou o dinheiro do funcionalismo público para inflar os cofres do banco privado.