Ex-policial é condenado a 40 anos de prisão por assassinato após Fla-Flu

Marcelo de Lima perde o cargo público após o Tribunal do Júri considerar que motivações políticas e futebolísticas levaram ao ataque.

Publicado em 9 de maio de 2026 às 16:03

Ex-policial é condenado a 40 anos de prisão por assassinato após Fla-Flu
Ex-policial é condenado a 40 anos de prisão por assassinato após Fla-Flu Crédito: Reprodução

O Tribunal do Júri do Rio de Janeiro encerrou, nesta sexta-feira (8), um dos capítulos mais trágicos envolvendo a intolerância no esporte e na política dos últimos anos. O policial penal Marcelo de Lima recebeu uma sentença de 40 anos de reclusão pelo assassinato do cinegrafista Thiago Leonel Fernandes da Motta e pela tentativa de homicídio de Bruno Tonini. O crime ocorreu em abril de 2023, logo após um clássico entre Flamengo e Fluminense, nos arredores do Estádio do Maracanã.

O julgamento, que se estendeu por dois dias, detalhou como uma noite de lazer se transformou em barbárie. Segundo as investigações conduzidas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), a confusão teve início em frente a uma pizzaria. O estopim teria sido uma série de comentários provocativos feitos pelo acusado, misturando divergências políticas e rivalidade entre torcidas.

A situação escalou rapidamente quando Marcelo sacou sua arma e disparou contra as vítimas. Thiago Motta não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local, enquanto Bruno Tonini foi socorrido e conseguiu sobreviver ao ataque. Um dos pontos cruciais para a condenação foi o fato de que os disparos ocorreram em um local extremamente movimentado, cercado por bares e frequentadores, o que ampliou o risco para dezenas de outras pessoas e impediu qualquer chance de defesa das vítimas, que foram pegas de surpresa.

Além da longa pena de prisão, o magistrado determinou a perda imediata do cargo de policial penal de Marcelo. A decisão foi recebida como um marco contra a violência por motivação fútil, reforçando que o uso de armas por agentes de segurança, mesmo fora de serviço, deve ser pautado pela responsabilidade e não pelo impulso de conflitos ideológicos ou esportivos.