Publicado em 6 de novembro de 2026 às 18:07
O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta sexta-feira (6) a delação premiada do empresário João Carlos Mansur, fundador e ex-dono da gestora de investimentos Reag. Investigado no caso Banco Master, ele apresentou informações que podem trazer novos desdobramentos para as apurações envolvendo Daniel Vorcaro, ex-dono da instituição financeira.>
Negociado com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o acordo reúne 17 anexos com relatos e documentos sobre operações financeiras suspeitas. Um dos principais pontos trata da relação entre a Reag e o Banco Master, iniciada em 2019, período em que Vorcaro assumiu o controle da instituição.>
Segundo informações apresentadas durante as negociações, fundos administrados pela Reag teriam sido usados para movimentar recursos do banco por meio de pessoas que atuariam como laranjas e empresas no exterior. Entre os casos mencionados está o fundo Jaguar Multimarket Fund Ltd, registrado nas Ilhas Cayman, que recebeu R$ 494 milhões do Master. Embora estivesse formalmente ligado a outro empresário, Mansur apontou Vorcaro como seu verdadeiro beneficiário.>
Como parte das condições para a colaboração, o empresário se comprometeu a pagar R$ 40 milhões em multas. O valor corresponde, segundo informações da negociação, ao montante que ele teria recebido da Reag enquanto esteve à frente da gestora. Os documentos também podem ajudar a Polícia Federal a rastrear recursos enviados ao exterior e identificar possíveis caminhos para a recuperação do dinheiro.>
Mansur já era investigado pela Polícia Federal nas operações Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master, e Carbono Oculto, voltada à investigação da infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) na economia formal. Em janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Reag, após identificar irregularidades e problemas relacionados às atividades da empresa.>
Com a decisão de Fachin, o acordo passa a ter validade e as informações fornecidas pelo empresário poderão ser utilizadas nas investigações. Os relatos, no entanto, ainda precisam ser confrontados com outras provas, e a homologação não representa confirmação automática dos crimes mencionados na delação.>