Publicado em 13 de agosto de 2026 às 18:49
Nesta quinta-feira (13), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, defendeu a liberdade de imprensa e o direito constitucional dos jornalistas ao sigilo da fonte. Em nota, Fachin indicou que a decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a investigação de uma fonte de jornalista poderá ser analisada pelo plenário da Corte.>
A decisão de Moraes foi tomada na terça-feira (11), a pedido da Polícia Federal (PF) e com concordância da Procuradoria-Geral da República (PGR). O ministro autorizou busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão.>
Segundo a PF, Cutrim seria a fonte do jornalista Luís Pablo, que publicou, em novembro de 2025, conteúdos com fotos e informações sobre um carro do Tribunal de Justiça utilizado pelo ministro Flávio Dino no Maranhão. A investigação apura a suspeita de perseguição contra Dino.>
Em manifestação sobre o caso, Luís Pablo afirmou estar preocupado com o andamento da investigação e classificou como uma tentativa de criminalização da atividade jornalística a utilização de informações relacionadas à sua fonte.>
O jornalista também afirmou que considera especialmente grave a violação do sigilo da fonte, previsto na Constituição Federal, e questionou o uso de informações de natureza privada que, segundo ele, não teriam relação com a produção ou publicação das reportagens.>
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) também manifestaram preocupação com a operação e com a possibilidade de violação do sigilo da fonte.>
As entidades afirmaram que medidas desse tipo não teriam amparo constitucional e poderiam criar precedentes considerados prejudiciais à liberdade de imprensa.>
Na nota divulgada nesta quinta-feira, Fachin afirmou que o STF mantém compromisso com a Constituição e destacou especialmente a liberdade de imprensa e o direito dos jornalistas ao sigilo da fonte.>
O presidente da Corte também afirmou que eventuais ilícitos devem ser investigados a partir da conduta que é objeto da apuração, e não da atividade jornalística exercida de forma legítima.>
Fachin defendeu ainda que decisões individuais dos ministros possam ser submetidas à análise colegiada do tribunal. Segundo ele, a Presidência do STF adotará as medidas necessárias para que as deliberações relacionadas ao caso ocorram com brevidade.>
Ao mesmo tempo, o ministro manifestou solidariedade a Flávio Dino e afirmou que eventuais ameaças à segurança de ministros e familiares precisam ser investigadas. A Secretaria de Polícia Judicial do STF deverá colaborar com as autoridades responsáveis pela apuração.>
Durante a sessão do plenário do STF nesta quinta-feira, Alexandre de Moraes afirmou que a representação apresentada pela Polícia Federal e o parecer da PGR apontaram, segundo ele, elementos que indicariam materialidade e autoria dos crimes investigados.>
Moraes também ressaltou que o sigilo da fonte é uma garantia constitucional reconhecida pelo próprio STF, mas afirmou que essa proteção não pode ser utilizada como justificativa para práticas ilícitas.>
O ministro disse ainda que a questão poderá ser analisada pela Primeira Turma do STF caso os investigados apresentem recursos.>
Íntegra da nota do presidente do STF>
"A Presidência do Supremo Tribunal Federal manifesta solidariedade ao Ministro Flávio Dino e reconhece que ameaças à segurança física dos ministros e familiares devem ser apuradas com rigor. A Secretaria de Polícia Judicial do Supremo Tribunal Federal colaborará com as autoridades públicas para a plena elucidação dos fatos e pela responsabilização, inclusive penal, de quem tiver praticado crimes.>
O Supremo Tribunal Federal reafirma seu compromisso irrenunciável com a Constituição e com o respeito às liberdades fundamentais, sobretudo com liberdade de imprensa e com o direito fundamental dos jornalistas ao sigilo de fonte. Ao longo dos anos, a jurisprudência da Suprema Corte realçou, como não poderia deixar de ser feito sob a égide da Constituição de 1988, a primazia que esses direitos têm dentro do arcabouço legal. A jurisprudência do Tribunal permanecerá íntegra e vinculante a todos os órgãos do Poder Judiciário, e seus Ministros não se afastarão do compromisso com esses direitos. A apuração de eventuais ilícitos deve dirigir-se à conduta que constitua objeto da investigação, jamais à atividade jornalística legítima exercida no cumprimento de sua função constitucional.>
A Presidência tem a convicção de que a força do Tribunal reside em sua colegialidade, a melhor expressão de solidariedade a seus membros, seja confirmando decisões monocráticas, seja deliberando sobre o destino e a duração de investigações. A Presidência adotará as providências regimentais cabíveis para que essas deliberações ocorram com a brevidade que a matéria exige.">