Famílias perderam R$ 62,5 bi com ‘bets’ em 2025, aponta Comsefaz

Levantamento baseado em dados do Banco Central mostra que prejuízo líquido mensal chega a R$ 4,7 bilhões.

Publicado em 6 de agosto de 2026 às 17:15

Famílias brasileiras registraram uma perda líquida de R$ 62,5 bilhões para as casas de apostas online (as chamadas bets) ao longo de 2025.
Famílias brasileiras registraram uma perda líquida de R$ 62,5 bilhões para as casas de apostas online (as chamadas bets) ao longo de 2025. Crédito: Fabio Rodrigues/Agência Brasil

As famílias brasileiras registraram uma perda líquida de R$ 62,5 bilhões para as casas de apostas online (as chamadas bets) ao longo de 2025. O valor representa a diferença entre o dinheiro total apostado e o que retornou aos jogadores em forma de prêmios. De acordo com o Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda), o setor movimentou quase R$ 351 bilhões em transações via Pix no período.

Os dados, que integram o Boletim Fiscal dos Estados, revelam que o prejuízo médio mensal foi de R$ 4,7 bilhões. Em termos macroeconômicos, esse impacto financeiro equivale a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias. O estudo destaca ainda que, desde a regulamentação do setor em janeiro de 2025, houve uma mudança no consumo, com a renda sendo desviada de setores como artes, cultura, esporte e recreação para as apostas.

Embora a legislação determine que as empresas devem bloquear usuários identificados como compulsivos, o levantamento aponta que isso não tem ocorrido na prática. Segundo especialistas, os algoritmos das plataformas muitas vezes fazem o oposto: ao detectar sinais de ludopatia (vício em jogos), enviam bônus e incentivos para que a pessoa continue apostando até perder todo o seu capital.

O boletim também registrou que a proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família, em vigor desde outubro de 2024, causou uma desaceleração no ritmo das transações. Para o Comsefaz, o resultado indica que famílias de menor renda tinham uma participação expressiva no mercado de apostas e que a medida restritiva teve efeitos concretos sobre o volume total movimentado.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.