Fazenda eleva previsão da inflação para 4,5% e mantém PIB em 2,3%

Governo atribui aumento da estimativa à alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio e alerta para risco de pressão nos combustíveis.

Publicado em 18 de maio de 2026 às 18:46

Governo atribui aumento da estimativa à alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio e alerta para risco de pressão nos combustíveis.
Governo atribui aumento da estimativa à alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio e alerta para risco de pressão nos combustíveis. Crédito: Reprodução 

Nesta segunda-feira (18), a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda aumentou a previsão da inflação para 2026, que passou de 3,7% para 4,5%, exatamente no limite máximo da meta estabelecida pelo governo. Já a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida em 2,3%.

Segundo a equipe econômica, a revisão está ligada à disparada do preço do petróleo no mercado internacional em meio à guerra no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel. O cenário elevou a preocupação com impactos nos combustíveis e em outros setores da economia brasileira.

De acordo com o Boletim Macrofiscal divulgado pela SPE, a previsão do barril do petróleo tipo brent para 2026 subiu de US$ 73,09 para US$ 91,25, uma alta próxima de 25%. Nesta segunda-feira (18), a cotação do produto chegou a ultrapassar os US$ 110 no mercado internacional. Antes do conflito, o petróleo girava em torno de US$ 70.

A meta oficial de inflação para 2026 é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Com isso, o novo cálculo do governo já encosta no teto permitido. Em 2025, a inflação fechou em 4,26%, enquanto o acumulado dos últimos 12 meses até abril ficou em 4,39%.

O mercado financeiro trabalha com uma previsão ainda maior. Segundo o Boletim Focus do Banco Central divulgado nesta segunda-feira (18), analistas estimam inflação de 4,92% ao fim de 2026, acima do limite da meta.

A secretária de Política Econômica, Débora Freire, afirmou que o comportamento da inflação dependerá principalmente dos próximos efeitos da alta do petróleo. Segundo ela, o governo acompanha possíveis impactos indiretos que ainda não estão totalmente claros.

A SPE informou ainda que as medidas adotadas pelo governo federal para tentar conter a alta dos combustíveis ajudaram a reduzir a inflação projetada em cerca de 0,3 ponto percentual. Sem essas ações, o índice poderia ultrapassar o teto da meta.

Para os próximos anos, a previsão oficial aponta inflação de 3,5% em 2027 e retorno ao centro da meta, em 3%, apenas em 2028.

Em relação ao crescimento da economia, o Ministério da Fazenda manteve a expectativa de avanço de 2,3% no PIB em 2026 e projeta crescimento de 2,6% em 2027.

O governo federal calcula que as medidas adotadas para reduzir os impactos da guerra sobre os combustíveis geram um custo fiscal de R$ 6,2 bilhões por mês. A mobilização total de recursos neste ano, segundo estimativas citadas pelo Metrópoles, chega a R$ 68,52 bilhões, sendo R$ 33,2 bilhões direcionados às ações ligadas ao aumento dos combustíveis.