Ferrari de R$ 4 milhões é trocada por relógio falso e cheques sem fundo

Vítima procurou a Polícia Civil e denuncia o empresário que aplicou o golpe

Publicado em 1 de junho de 2026 às 18:17

(Atualmente, o veículo está provisoriamente com ele por decisão judicial, apesar de o Ministério Público ter se manifestado pela devolução imediata ao proprietário original.)
(Atualmente, o veículo está provisoriamente com ele por decisão judicial, apesar de o Ministério Público ter se manifestado pela devolução imediata ao proprietário original.) Crédito: Divulgação Ferrari

Uma negociação milionária envolvendo uma das Ferrari mais exclusivas do Brasil terminou em acusações de estelionato e abriu inquérito na Polícia Civil de São Paulo. O empresário Leonardo Vasconcelos Rodrigues afirma ter sido vítima de um golpe ao trocar sua Ferrari SF90 Stradale Assetto Fiorano, avaliada em cerca de R$ 4 milhões e única no país nessa configuração, por um relógio de luxo falsificado e três cheques sem fundos.

De acordo com o relato de Leonardo e seu advogado Clóvis Ferreira de Araújo, a proposta surgiu por meio do intermediário Carlos Eduardo Barbosa (também chamado de Carlos Eduardo Nascimento Barbosa), que atuava em nome de uma empresa ligada ao empresário Boris Maciel Padilha, conhecido no mercado de luxo de Santa Catarina.

Detalhes da negociação

A troca envolvia:

• Um relógio Richard Mille, avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões.

• Três cheques no valor total de R$ 1,5 milhão (R$ 600 mil cada).

Após a transferência do veículo, com assinatura do DUT, Leonardo enviou o relógio para perícia. O laudo confirmou que tanto o relógio quanto a pulseira eram falsos. Os cheques também foram devolvidos por falta de fundos.

Investigação

A Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC) de São Paulo abriu inquérito para apurar o caso. Carlos Eduardo Barbosa teria confessado à polícia conhecer irregularidades na transação. Boris Maciel Padilha nega qualquer participação em golpe e afirma que a negociação foi legítima.

A Ferrari foi localizada em uma loja de Boris em Itapema, no litoral de Santa Catarina, e chegou a ser apreendida pela polícia. Atualmente, o veículo está provisoriamente com ele por decisão judicial, apesar de o Ministério Público ter se manifestado pela devolução imediata ao proprietário original.

Histórico de Boris Maciel Padilha

Boris Maciel Padilha já era figura conhecida no cenário de luxo e aparece em investigações anteriores. Ele foi alvo da Operação Integration, que apurou esquema de lavagem de dinheiro envolvendo apostas esportivas. Na ocasião, possuía em seu nome três Ferraris, dois Rolls-Royces e outros veículos de alto valor, totalizando mais de R$ 40 milhões.

Leonardo Rodrigues, colecionador de veículos de luxo do interior de São Paulo, segue lutando na Justiça pela devolução de seu patrimônio.

A investigação segue em andamento. A Polícia Civil de São Paulo não descarta a possibilidade de outros envolvidos ou a existência de uma rede maior de fraudes no mercado de artigos de luxo.

Com informações do portal g1