Publicado em 16 de junho de 2026 às 13:28
Nesta terça-feira (16), documentos anexados ao inquérito da Polícia Civil de São Paulo apontaram que o filme Dark Horse, baseado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, teve custo declarado de R$ 75,1 milhões pela produtora Go UP Entertainment. Segundo o material apresentado pela defesa da empresária Karina Ferreira da Gama, dona da empresa, R$ 54 milhões teriam sido gastos no exterior e R$ 20,9 milhões no Brasil, totalizando US$ 13,39 milhões, embora as filmagens tenham ocorrido integralmente em território nacional.>
Karina é investigada em um inquérito que apura um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), também ligada à empresária. A Polícia Civil e o Ministério Público buscam esclarecer se recursos do contrato destinado à instalação de pontos de wi-fi em comunidades da capital paulista foram utilizados na produção do longa.>
O laudo que detalha os valores foi elaborado pelo Instituto de Perícia Investigativa (IPI), contratado pelos advogados da empresária. O documento afirma que a análise foi baseada em contratos, planilhas financeiras e extratos bancários da ONG, mas não apresenta recibos, notas fiscais ou outros comprovantes que sustentem os gastos informados.>
A investigação também analisa a prestação de contas da ONG à Prefeitura de São Paulo. Entre os pontos questionados estão notas fiscais consideradas sem valor fiscal pelos órgãos responsáveis pela apuração.>
Antes de produzir Dark Horse, a Go UP Entertainment não havia realizado filmes no Brasil. Da mesma forma, o Instituto Conhecer Brasil não possuía histórico de implantação de redes de wi-fi em áreas periféricas antes de assumir o contrato municipal em junho de 2024.>
Segundo o laudo apresentado pela defesa, não foram identificadas entradas de recursos públicos, repasses governamentais ou financiamentos destinados à produção do filme. O documento, porém, não esclarece a origem dos R$ 20,9 milhões apontados como gastos no Brasil.>
Em maio, Karina afirmou que cerca de 90% dos recursos investidos no projeto vieram do banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com ela, o filme está na fase de pós-produção, com trabalhos de efeitos especiais e sonorização, e ainda necessita de novos aportes financeiros.>
A empresária declarou que, após a prisão de Vorcaro, a equipe precisou buscar investidores privados para manter a produção. Segundo seu relato, o banqueiro atuava como intermediador na captação dos recursos e não como investidor direto do projeto.>
As investigações também analisam informações que apontam a participação do senador Flávio Bolsonaro em negociações para obtenção de recursos destinados ao filme.>
Valores citados na investigação>