Lula e Trump posam para foto oficial no G7, mas evitam contato

O encontro em Évian-les-Bains registrou o distanciamento entre os líderes devido à proposta dos EUA de taxar produtos brasileiros em 25%; governo brasileiro classificou a medida como inaceitável.

Publicado em 16 de junho de 2026 às 13:51

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante fotografia oficial dos chefes de delegação dos países membros e dos países convidados do G7, em Évian-les-Bains - França.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante fotografia oficial dos chefes de delegação dos países membros e dos países convidados do G7, em Évian-les-Bains - França. Crédito: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da foto oficial da cúpula do G7 nesta terça-feira (16), na França, ao lado do presidente norte-americano Donald Trump. O momento, ocorrido durante a reunião em Évian-les-Bains, foi marcado por uma visível tensão diplomática: apesar de estarem no mesmo grupo para o retrato, os dois mandatários não se cumprimentaram na ocasião.

No momento do "retrato de família", Lula foi posicionado ao lado do primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, enquanto Trump ficou próximo ao anfitrião do evento, Emmanuel Macron. Logo após a foto, Lula conversou rapidamente com a líder da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Enquanto ambos dialogavam, Trump passou pelos dois sem realizar qualquer tipo de saudação formal.

A frieza entre os dois chefes de Estado é resultado de uma investigação comercial dos Estados Unidos que propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros. O governo americano alega que o Brasil adota práticas "irrazoáveis" que prejudicam suas empresas, citando regras do sistema Pix, políticas ambientais, combate à corrupção e proteção de propriedade intelectual. Em resposta, o governo Lula criticou duramente a proposta, afirmando que o país não aceitará medidas unilaterais.

Embora o Brasil não integre o G7, grupo das principais economias ricas do mundo, Lula participa como convidado e deve aproveitar o fórum para discursar contra o protecionismo e o unilateralismo econômico. A intenção do presidente é transmitir aos demais líderes globais que é contrário ao "tarifaço" americano, sem necessariamente personalizar a crítica a

Donald Trump durante as reuniões.

Além das questões comerciais, a agenda de Lula na França prevê discussões sobre inteligência artificial, onde ele deve reforçar que o Brasil está aberto a investimentos de empresas de tecnologia, desde que elas operem conforme a legislação nacional.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.