Publicado em 11 de agosto de 2026 às 17:17
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, protagonizou um gesto inusitado nesta terça-feira (11), em Brasília, ao oferecer carne, mandioca e refrigerante aos jornalistas que acompanhavam sua agenda de campanha. Ao entregar os alimentos, o parlamentar ironizou uma promessa de campanha de 2022 do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando: "Já que o Lula não trouxe picanha, eu trouxe aqui para vocês a picanha que foi prometida e ele não entregou".>
Apesar do tom irônico, o gesto foi apresentado como uma forma de solidariedade à imprensa após uma recente operação de busca e apreensão autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação teve como alvo o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, Raimundo Cutrim, identificado como fonte do jornalista Luís Pablo.>
Flávio Bolsonaro criticou duramente a decisão judicial, afirmando que o caso representa uma ameaça direta ao sigilo da fonte e à própria liberdade de imprensa no país. "Nada justifica um ministro do Supremo determinar a busca e apreensão numa fonte de um jornalista que fazia matéria denunciando mau uso por parte do aparato", declarou o senador, questionando ainda que segurança as fontes terão para dialogar com os profissionais de mídia a partir de agora.>
O caso que motivou a crítica envolve reportagens de Luís Pablo sobre o suposto uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), custeados com recursos públicos, pela família do também ministro do STF, Flávio Dino. Devido às publicações, o jornalista foi enquadrado no crime de stalking e incluído no inquérito das fake news.>
O episódio ocorreu em frente a um dos quartéis-generais da campanha de Flávio, onde ele se reuniu com pré-candidatos ao Senado e com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que participou da gravação de vídeos de apoio à sua candidatura.>
Na ocasião, o senador também defendeu seu candidato a vice, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), de acusações recentes. Flávio classificou as denúncias contra o companheiro de chapa como uma "farsa" montada por adversários políticos e reafirmou que não há possibilidade de substituição do vice na disputa presidencial. Além disso, ele defendeu que outros ministros da Suprema Corte se posicionem publicamente sobre a operação contra a fonte jornalística no Maranhão.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>