Flávio Bolsonaro pede aos EUA suspensão de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Senador afirma que a manutenção da sobretaxa pode favorecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais.

Publicado em 2 de julho de 2026 às 15:47

Senador afirma que a manutenção da sobretaxa pode favorecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais.
Senador afirma que a manutenção da sobretaxa pode favorecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais. Crédito: Reprodução 

Nesta quarta-feira (1), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou um ofício ao governo dos Estados Unidos solicitando a suspensão da tarifa de 25% prevista sobre produtos brasileiros. No documento, o parlamentar argumenta que a manutenção da medida pode beneficiar politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a disputa presidencial.

Flávio é um dos inscritos para participar das audiências que discutirão a sobretaxa anunciada pelo governo do presidente Donald Trump. No ofício, o senador afirma que as tarifas podem trazer prejuízos tanto para a economia dos Estados Unidos quanto para os brasileiros interessados em manter uma relação comercial com o país.

Segundo o parlamentar, a adoção da medida permitiria ao governo brasileiro transformar a decisão norte-americana em uma vitória política no cenário interno.

Flávio também informa que se reuniu recentemente com Donald Trump e com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para discutir a proposta de taxação.

No documento, o senador solicita que a aplicação das tarifas seja adiada, pelo menos, até a realização das eleições presidenciais no Brasil. Para ele, evitar a implementação da medida antes do pleito impediria que a decisão fosse interpretada como uma tentativa de influenciar o resultado eleitoral.

Em junho, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) atribuiu a proposta de aplicação da tarifa de 25% a práticas comerciais consideradas desleais após concluir uma investigação contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

O relatório preliminar do órgão afirma que políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, desmatamento ilegal e propriedade intelectual restringem ou aumentam os custos das transações comerciais com empresas norte-americanas. O documento também acusa o Banco Central de adotar práticas consideradas discriminatórias em relação a empresas dos Estados Unidos e aponta que o Brasil prejudica a concorrência ao aplicar sanções a plataformas de tecnologia norte-americanas que descumprem ordens de remoção de conteúdo.

O governo dos Estados Unidos estabeleceu o prazo de 15 de julho para que o Brasil apresente medidas corretivas antes da eventual aplicação definitiva das tarifas.

A proposta prevê a taxação de mercadorias brasileiras exportadas aos Estados Unidos, mas mantém isentos produtos considerados estratégicos para o abastecimento da economia norte-americana, como carne bovina, café, frutas tropicais, petróleo, minérios, terras raras, aviões, fertilizantes e produtos farmacêuticos.