Publicado em 27 de maio de 2026 às 15:41
Nesta quarta-feira (27), a nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal, apura um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. A investigação mira associações suspeitas de aplicar cobranças em massa sem autorização dos segurados.>
Segundo a apuração, o grupo utilizava dados de aposentados para criar cadastros falsos em associações, simulando adesões que nunca aconteceram. Em alguns casos, eram usados tokens e até biometria fraudulenta para validar assinaturas e liberar os descontos diretamente nos contracheques.>
As autoridades também investigam a participação de empresas de fachada usadas para ocultar valores e movimentar o dinheiro obtido de forma irregular, além da compra de bens de alto valor para disfarçar a origem dos recursos.>
De acordo com especialistas, o esquema pode ter contado com apoio interno. O planejador financeiro Jeff Patzlaff afirma que servidores e ex-dirigentes do INSS teriam recebido vantagens para facilitar ou ignorar os descontos indevidos.>
Já dados do Serasa mostram que esse tipo de golpe costuma envolver falsas associações que prometem benefícios como assistência jurídica, planos de saúde e descontos em serviços, mas que não entregam o que oferecem.>
O economista Bruno Perri explica que muitas vítimas nem percebem quando são incluídas nos esquemas. Segundo ele, o uso indevido de dados pessoais permite que golpistas simulem adesões como se fossem autorizadas pelo beneficiário.>
Para identificar se houve fraude, especialistas recomendam que aposentados e pensionistas verifiquem com frequência o extrato do benefício, principalmente entre os anos de 2019 e 2024, período com maior número de ocorrências.>
No aplicativo ou site Meu INSS, o segurado pode acessar o extrato seguindo alguns passos simples: entrar com CPF e senha Gov.br, clicar em “Extrato de benefício” e selecionar o número do benefício para visualizar todos os descontos aplicados.>
Sinais de alerta incluem cobranças descritas como “mensalidade associativa” ou “débito associação”, além de descontos de empréstimos ou seguros não contratados.>
Caso identifique irregularidades, o beneficiário pode solicitar o cancelamento diretamente no Meu INSS, na opção “excluir mensalidade de associação ou sindicato”, ou pelo telefone 135. Também é possível bloquear novos descontos e registrar reclamações em canais como o Portal Consumidor.gov e a ouvidoria do INSS.>
O INSS não solicita dados pessoais por telefone, e-mail ou mensagens, o que serve como alerta contra tentativas de golpe. Em caso de contato suspeito, a orientação é não compartilhar informações.>
Segundo Patzlaff, após a contestação, o INSS tem até 15 dias úteis para comprovar a autorização do desconto. Se não houver validação, o segurado pode aderir a um acordo para devolução dos valores, que são pagos em até três dias úteis após a confirmação.>
Em casos específicos, como indígenas, quilombolas e idosos acima de 80 anos, a restituição pode ocorrer automaticamente, sem necessidade de solicitação.>