Gilmar Mendes questiona votos relâmpago e aponta racha institucional na Corte

A tensão transbordou para as sessões públicas, transformando encontros oficiais em palcos de bate-boca, gritos, dedos em riste e um racha evidente entre os magistrados.

Publicado em 17 de setembro de 2026 às 09:47

Ministro Gilmar Mendes
Ministro Gilmar Mendes Crédito: Antônio Augusto/STF

O clima nos corredores do Supremo Tribunal Federal (STF) ferveu de vez nos últimos dias, escancarando uma crise inédita e profunda entre os ministros da mais alta corte do país. O estopim recente envolveu um documento enviado pelo decano Gilmar Mendes ao presidente da Segunda Turma, Luiz Fux, questionando duramente a decisão do colegiado que havia determinado o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues medida que acabou derrubada posteriormente por Flávio Dino.

No ofício, Gilmar apontou o que chamou de "prévio ajuste" sem transparência. Ele destacou que, em uma sessão virtual extraordinária, os ministros Fux e Kassio Nunes Marques registraram seus votos favoráveis ao afastamento do chefe da PF em um intervalo de apenas nove minutos após a abertura do sistema, ignorando o restante do colegiado e atropelando ritos tradicionais. Para o decano, a atitude demonstrou falta de diálogo e desrespeito às regras que regem o funcionamento igualitário das turmas do tribunal.

A tensão nos gabinetes transbordou para as sessões públicas, transformando encontros oficiais em palcos de bate-boca, gritos, dedos em riste e um racha evidente entre os magistrados. O epicentro da discórdia gira em torno de investigações sensíveis ligadas ao Banco Master e a supostas mensagens trocadas entre o empresário Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

Durante os debates sobre como a Corte deveria conduzir a apuração desses contatos, a divisão ficou clara. O placar inicial sobre a forma de tramitação dos casos chegou a ficar em 4 a 3 com votos a favor de manter os processos separados vindos de Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia, enquanto Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin defenderam uma análise conjunta.

A briga verbal foi tão intensa que o ministro Flávio Dino acabou interrompendo o andamento ao pedir mais tempo para análise (pedido de vista), adiando o desfecho e deixando em xeque os próximos julgamentos agendados para a pauta da Corte.