Publicado em 17 de abril de 2026 às 09:01
A investigação conduzida pela Polícia Civil em Goiás trouxe à tona denúncias graves contra o médico Marcelo Arantes e Silva, suspeito de abusar de pacientes durante atendimentos ginecológicos. Até agora, pelo menos cinco mulheres relataram situações semelhantes ocorridas em clínicas nas cidades de Goiânia e Senador Canedo.>
De acordo com as autoridades, os casos começaram a ser investigados há cerca de 40 dias, mas há registros que indicam que os abusos podem ter começado ainda em 2017. Ao longo dos anos, novos relatos surgiram, incluindo denúncias mais recentes entre 2025 e 2026, o que levanta a suspeita de que o número de vítimas possa ser maior.>
A delegada Amanda Menuci, responsável pelo caso, autorizou a divulgação do nome e da imagem do médico como forma de incentivar outras possíveis vítimas a procurarem a polícia. Segundo ela, há indícios de que o comportamento do investigado seguia um padrão.>
“As investigações mostram relatos consistentes ao longo dos anos de uma conduta totalmente antiética”, afirmou. De acordo com a delegada, o médico se aproveitava do ambiente clínico e da confiança das pacientes para avançar gradualmente nos abusos.>
Ainda segundo a polícia, os atendimentos começavam com perguntas invasivas e toques considerados inadequados, evoluindo para situações mais graves. Há relatos de exames realizados sem necessidade médica, além de abordagens de cunho sexual durante os procedimentos.>
Um dos pontos que mais chamaram atenção dos investigadores foi a vulnerabilidade das pacientes durante as consultas. “Nesse tipo de atendimento, a mulher já está em uma posição física e emocional delicada, o que dificulta qualquer reação”, explicou a delegada.>
Os casos investigados ocorreram em diferentes unidades de saúde. Um dos locais foi o Instituto de Medicina Canedo, em Senador Canedo, onde há registro de abuso. Em Goiânia, quatro casos foram associados a atendimentos realizados no Centro Médico Campinas. Já uma terceira unidade, a Clínica Humana, informou que o médico não fazia parte do quadro fixo e que apenas utilizou o espaço de forma pontual.>
Em nota, a clínica afirmou que não possui vínculo com o profissional e destacou que segue normas rígidas de segurança e ética no atendimento aos pacientes.>
Apesar da gravidade das denúncias, a Justiça não autorizou a prisão preventiva do investigado. Em vez disso, foram impostas medidas cautelares, como a proibição de contato com as vítimas e a suspensão do exercício profissional, com comunicação ao conselho da categoria.>
A decisão surpreendeu a equipe responsável pelo caso. Para a delegada, a ausência de prisão pode impactar a sensação de segurança das vítimas. “Isso pode gerar medo e até desestimular outras denúncias”, afirmou.>
Relatos colhidos durante a investigação mostram o impacto emocional causado nas vítimas, que descreveram as situações como traumáticas. Em um dos depoimentos, uma paciente contou que chegou a levar a própria filha adolescente a uma consulta, na tentativa de evitar novos abusos, mas ainda assim teria sido vítima novamente.>
O caso é tratado como estupro de vulnerável, já que, segundo a polícia, o contexto do atendimento médico coloca as pacientes em condição de fragilidade, tanto física quanto psicológica.>
A Polícia Civil reforça que novas denúncias podem ser feitas com garantia de sigilo. A expectativa é que mais mulheres procurem ajuda, o que pode ampliar o alcance das investigações e contribuir para o avanço do caso na Justiça.>