Publicado em 17 de abril de 2026 às 10:20
Apesar dos avanços no saneamento básico, o Brasil ainda convive com um cenário de desigualdade no acesso à água tratada. Dados da PNAD Contínua, divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (17), mostram que cerca de 13,9% das 79,3 milhões de residências no país ainda não estão conectadas à rede geral de abastecimento. Isso representa aproximadamente 11 milhões de domicílios sem acesso direto à água encanada.>
O levantamento indica que, embora 86,1% das casas brasileiras já contem com abastecimento vindo da rede pública, a distribuição desse serviço ainda é desigual quando se observa o território nacional e o tipo de área onde as pessoas vivem.>
Nas áreas urbanas, o acesso é mais amplo, chegando a 93,1% dos domicílios. Já no meio rural, a realidade é bem diferente: apenas 31,7% das residências contam com água fornecida pela rede geral, o que obriga grande parte das famílias a buscar alternativas para garantir o abastecimento diário.>
Entre essas alternativas estão o uso de poços profundos ou artesianos, que atendem cerca de 31,9% das casas sem rede, além de poços rasos ou cacimbas, fontes naturais e nascentes. Também entram na lista soluções como rios, açudes e o uso de caminhões-pipa, que juntos representam uma parcela significativa do fornecimento em regiões mais isoladas.>
As diferenças regionais também chamam atenção. O Norte do país aparece como a região com menor cobertura, com apenas 60,9% das residências conectadas à rede geral. Já o Sudeste apresenta o melhor desempenho, com 92,4% dos domicílios atendidos.>
Outro ponto destacado pelo levantamento é a regularidade no fornecimento. Mesmo entre as casas que têm acesso à rede, nem todas recebem água diariamente. Em nível nacional, 88,5% dos domicílios conectados contam com abastecimento todos os dias.>
Quando analisado por regiões, o Nordeste registra 72,4% das casas com fornecimento diário entre as conectadas à rede. Em contraste, Sul e Centro-Oeste apresentam os melhores índices de regularidade, com 95,6% e 95,1%, respectivamente.>
O estudo reforça que, apesar da ampliação gradual do sistema de abastecimento no país, o acesso à água ainda não é uniforme e segue como um dos principais desafios de infraestrutura no Brasil.>