Publicado em 23 de julho de 2026 às 13:39
A paciente Jandira Marina Dias Braga, de 76 anos, morreu três dias depois de ser submetida por engano a uma cirurgia no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas, no interior de São Paulo. Internada para tratar uma obstrução intestinal decorrente de um câncer de cólon, a idosa foi encaminhada ao centro cirúrgico na noite de 8 de junho para a realização de uma gastrostomia endoscópica, procedimento destinado a outra paciente que possuía o mesmo nome que ela.>
De acordo com a família, os erros começaram ainda no pronto-socorro, quando Jandira teria recebido uma medicação trocada porque a equipe chamou pelo nome de outra mulher sem conferir os dados completos. No dia da cirurgia indevida, a neta da idosa, Camila Dias Barozzi, relatou que a avó foi levada inesperadamente para o procedimento sem que houvesse explicações médicas sobre a necessidade da intervenção. A falha só teria sido descoberta após o término da operação, durante a troca de plantão, quando os profissionais notaram que a paciente correta ainda aguardava no quarto.>
Em nota oficial, o Hospital Beneficência Portuguesa reconheceu o erro no encaminhamento e informou a abertura de uma sindicância interna para apurar as circunstâncias do ocorrido. A instituição afirmou que adotou medidas administrativas rigorosas, incluindo o desligamento de profissionais envolvidos. Apesar de admitir a falha, o hospital sustenta que a intervenção não alterou o prognóstico da paciente e que a cirurgia teria trazido um "benefício clínico" ao permitir a drenagem de líquidos.>
A família contesta a versão da unidade de saúde e afirma que o estado clínico de Jandira piorou drasticamente logo após a cirurgia indevida. Segundo a neta, que tem formação técnica na área da saúde, a idosa passou a apresentar febre, taquicardia e sinais de infecção generalizada (sepse) imediatamente após voltar do centro cirúrgico. Com o agravamento do quadro, ela foi transferida para a UTI e morreu na noite de 11 de junho. Os familiares agora pretendem ingressar com medidas judiciais para apurar as responsabilidades pelo erro e esclarecer se o procedimento acelerou a morte da idosa.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>