Publicado em 7 de agosto de 2026 às 11:30
Novas gravações obtidas de câmeras corporais trouxeram detalhes inéditos sobre a operação policial que culminou na morte de Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, em Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo. Os vídeos registram toda a dinâmica da ação ocorrida em julho de 2025, desde a aproximação dos agentes até o momento dos disparos. Diferente da versão apresentada pelos policiais que alegaram ter visto o jovem ameaçar sacar um cabo de madeira, as imagens mostram que o rapaz acatou todas as ordens, permaneceu com as duas mãos completamente visíveis e rendido no chão, sem demonstrar qualquer tipo de resistência antes de ser atingido.>
A sequência de áudios e vídeos expõe ainda comportamentos atípicos da equipe logo após o ocorrido. Como os equipamentos foram acionados manualmente e sincronizados via bluetooth entre as fardas em um raio de até 20 metros, os agentes não sabiam que estavam sendo gravados. O chefe de comunicação da corporação, coronel Emerson Massera, classificou a conduta no local como ilegal, ressaltando que o jovem foi alvejado mesmo estando neutralizado e sem qualquer justificativa. Logo após os tiros, sem que nenhuma arma fosse encontrada com os quatro suspeitos abordados, as câmeras registraram os PMs sussurrando entre si em voz baixa, além de dispararem contra as paredes e gritarem pedindo para que uma suposta arma fosse largada, em uma tentativa de simular um confronto.>
Apesar de as investigações do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) indicarem uma execução, o julgamento realizado no Fórum Criminal da Barra Funda absolveu, no último dia 30, os soldados Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, autores dos disparos. Outros dois policiais que atuaram na operação respondem em processo separado. Inconformados com o veredito do júri popular, tanto a promotoria do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) quanto os advogados da família de Igor já ingressaram com recursos de apelação no Tribunal de Justiça, sustentando que a decisão dos jurados foi contrária às provas incontestáveis gravadas nas fardas.>