Publicado em 25 de maio de 2026 às 16:19
Nesta segunda-feira (25), o julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, pela morte do menino Henry Borel Medeiros foi retomado no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro após uma reviravolta que chegou a colocar em risco um novo adiamento do caso.>
Logo no início da sessão, Jairinho tentou destituir sua equipe de defesa, o que poderia levar ao adiamento do julgamento. A mudança de posição ocorreu após o estado de saúde do advogado principal, Fabiano Tadeu Lopes, que sofreu um infarto no último sábado (23) e está internado.>
Mesmo com oito advogados constituídos, o réu afirmou que apenas Fabiano seria o defensor mais preparado para conduzir sua defesa, por já conhecer outros processos relacionados ao caso.>
A juíza responsável pelo caso, Elizabeth Machado Louro, chegou a avaliar o pedido como uma possível estratégia para atrasar o julgamento, mas indicou que poderia aceitá-lo, o que deixaria Jairinho sem defesa constituída naquele momento.>
Durante a análise da situação, a magistrada também determinou a transferência do réu do presídio de Bangu 8 para Bangu 1, ambas unidades do Complexo de Gericinó, na zona oeste do Rio.>
Segundo a decisão, a mudança foi sugerida pelo Ministério Público. Bangu 8 abriga presos de perfil menos rigoroso, enquanto Bangu 1 é considerada uma unidade de segurança máxima, destinada a detentos de maior periculosidade e com regime mais restrito.>
A juíza destacou ainda que o próprio réu já havia mencionado que Bangu 1 ofereceria melhores condições de acomodação, reforçando a decisão de transferência.>
O episódio também levou ao adiamento momentâneo do julgamento da mãe da criança, Monique Medeiros, que também responde pelo caso.>
A magistrada apontou que o comportamento processual da defesa vinha sendo marcado por medidas que poderiam atrasar o andamento do processo. “Nos últimos dois meses desde o adiamento, multiplicaram-se requerimentos inoportunos, nitidamente protelatórios”, afirmou.>
Após a decisão, o julgamento foi interrompido por alguns minutos. Na retomada, Jairinho pediu para consultar novamente seus advogados e, em seguida, decidiu manter a defesa, incluindo o filho, que integra a equipe jurídica.>
Com isso, o Tribunal do Júri seguiu com a seleção dos jurados, formada por cinco homens e duas mulheres. A juíza leu a denúncia do Ministério Público e suspendeu a sessão para o intervalo de almoço.>
Estão previstos quatro depoimentos de testemunhas de acusação ainda nesta segunda-feira, incluindo dois delegados, um perito e um médico legista. Ao todo, 27 testemunhas foram arroladas no processo, que deve durar entre cinco e sete dias.>
O caso julgado envolve a morte de Henry Borel, ocorrida em março de 2021. De acordo com a denúncia do Ministério Público, o menino foi vítima de agressões praticadas por Jairinho, enquanto a mãe, Monique Medeiros, teria sido omissa.>
O ex-vereador responde por homicídio qualificado, com uso de meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima, além de acusações de tortura. Já Monique responde por homicídio por omissão qualificado.>
Na entrada do Tribunal de Justiça, o pai de Henry, Leniel Borel, que atua como assistente de acusação, afirmou que a estratégia da família é demonstrar a rede de influência usada para tentar interferir nas investigações.>
Já a defesa de Jairinho voltou a sustentar que a morte do menino teria sido acidental e criticou a falta de acesso a todas as provas do processo.>
O julgamento havia sido adiado em março, quando a defesa abandonou o plenário após ter um pedido negado pela juíza. Agora, o caso volta a avançar sob forte expectativa no Rio de Janeiro.>