Publicado em 22 de abril de 2026 às 17:00
Ao anunciar o curso "O Farol e a Forja", descrito como o "maior encontro de homens do Brasil", o ator Juliano Cazarré despertou uma onda de críticas. Agendado para julho em São Paulo, o evento propõe combater um suposto "enfraquecimento masculino" por meio de palestras sobre liderança, empreendedorismo e vida espiritual. No entanto, a narrativa adotada pelo ator, que chegou a referir-se a si mesmo na terceira pessoa ao prever que "iria apanhar" pelas suas convicções, foi classificada por colegas de profissão como uma manutenção desesperada de poder de gênero.>
A reação mais contundente veio de atrizes que enxergam perigo real na propagação desses ideais. Marjorie Estiano alertou que Cazarré não está criando algo novo, mas apenas reproduzindo um discurso enraizado que "mata mulheres todos os dias". No mesmo sentido, Claudia Abreu questionou a iniciativa em um cenário nacional marcado por recordes de feminicídios, sugerindo que a prioridade do debate deveria ser outra.>
A postura de Cazarré foi ironizada por veteranos como Paulo Betti, que criticou o "convencimento" do ator ao tratar a si próprio como uma "entidade". A atriz Maeve Jinkings, que já trabalhou com Juliano, lamentou o que chamou de "auto narrativa perigosa e narcísica", definindo a proposta do evento como uma "loucura coletiva" e uma tentativa irresponsável de sustentar hierarquias de gênero.>
Até mesmo o viés religioso do curso, que promete abordar a "vida espiritual", foi alvo de condenação. A atriz Guta Stresser criticou o uso do nome de Cristo para validar discursos que segregam e enfraquecem a luta por igualdade, chamando os responsáveis de "vendilhões do Templo". Enquanto Cazarré se coloca no papel de mártir de uma suposta "sociedade que enfraqueceu os homens", o setor cultural reage apontando que o verdadeiro perigo reside na manutenção de estigmas que custam vidas femininas.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Cássio Leal.>